sexta-feira, 5 de novembro de 2010

APRENDIZAGEM

Já que estamos falando de aprendizagem, selecionei para vocês um texto das minhas amigas Melanie e Carolina, do laboratório onde desenvolvo meu projeto de doutorado.
Vale a pena ler o texto a seguir:

APRENDIZAGEM



Melanie Mendoza* e Carolina R. Padovani**



Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. É um processo contínuo, que sofre alterações na velocidade e na qualidade do que é aprendido conforme a idade e nível de desenvolvimento, isso acontece porque o sistema nervoso - órgão responsável pela aprendizagem - termina seu amadurecimento apenas no fim da adolescência e sofre contínuas alterações pelo ambiente por toda a vida.

Com o passar do tempo, a criança demonstra de maneira mais evidente o que aprende.

Como você viu na aula sobre desenvolvimento, a criança começa sorrindo, brincando com as mãos, olhando para alguns objetos e assim por diante, até ser capaz, mais tarde, de elaborar teorias sobre o mundo físico e social, além de sistemas de valores e crenças individuais.

Durante o processo de aprendizagem e desenvolvimento a criança opera sobre todos os dados recebidos do ambiente e atribui significados a eles - tanto pessoais, quanto da cultura em que está inserida. A aprendizagem, não é um processo limitado à atenção e ao esforço, depende também de estímulos ambientais, de características orgânicas e motivacionais de cada pessoa.

O aprender amplia-se com o passar do tempo juntamente com o aumento da capacidade de abstração da criança e com o transcorrer da idade.

A aprendizagem é muito mais do que memorizar e copiar os estímulos recebidos. É um processo ativo englobando outras atividades, como:

1) Organizar a nova informação;

2) Comparar e integrar com o que já se conhece;

3) Guardar na memória;

4) Lembrar sempre que necessário.



Lembre-se: O bom aprendiz não é alguém com uma memória privilegiada ou um bom copista, mas alguém que consegue manipular a informação de maneira inteligente e flexível.



i) OS PRIMEIROS ANOS



Nos primeiros anos de vida, aprendizagem e desenvolvimento se confundem, isso acontece porque o sistema nervoso da criança - imaturo ao nascer- prossegue evoluindo por toda a infância e adolescência, isso se reflete sobre seus comportamentos e sua maneira de compreender o mundo.

A capacidade que a criança de compreender o mundo que a rodeia é um reflexo da interação do meio - que a estimula - e de processos neurológicos que ocorrem durante o crescimento. Assim, a criança aprende coisas sobre si mesma e sobre o ambiente à medida que informações novas chegam e apresentam "problemas" para que ela resolva, estimulando assim sua inteligência e amadurecimento.



Lembre-se: A criança aprende porque o meio provê estímulos para ela e porque suas estruturas cerebrais permitem. Portanto é importante estimular, mas sem esquecer de respeitar o tempo dela.



Normalmente antes de entrar na escola, a criança já é capaz de:

1) Nomear coisas

2) Diferenciar classes de animais e objetos

3) O que é certo e errado em casa e no seu grupo de amigos

4) Leis físicas como gravidade, calor e movimento

5) Antecipar algumas reações das outras pessoas e elaborar uma teoria sobre como elas

estão se sentindo ou pensando.

6) Encontrar modos de conseguir o que quer.



Você pode ajudar nesse processo através de brincadeiras. Durante a infância a criança aprende brincando, literalmente. Respeitar esse direito é fundamental para que seu filho se desenvolva afetiva e cognitivamente.

Como dissemos na aula sobre "ser pai", os momentos de intimidade entre pais e filhos são fundamentais para os dois, estes podem ocorrer de maneira prazerosa em torno de um jogo ou de uma brincadeira.

Mas em um mundo tão cheio de propagandas voltadas para as crianças, quais são os brinquedos mais adequados para as elas?

Certamente os brinquedos não precisam ser caros ou sofisticados, os brinquedos mais adequados para promover a aprendizagem são justamente aqueles simples e que são utilizados há muitas gerações.

De acordo com a idade os brinquedos devem trabalhar:

4 a 7 anos: motricidade, os limites das artes gráficas, diferenças sexuais, sociabilidade. Tipos de brinquedos: construtivos, agressivos e optativos.

7 a 9 anos: sexualidade, sociabilidade, limites. Tipos de brinquedos: construtivos e principalmente optativos.

9 a 11 anos: sexualidade (identificação), formação de grupos sociais. Tipos de brinquedos: jogos.



De acordo com o tipo podemos classificar:

-dramáticos: bonecos (bebês, adultos, velhos), famílias (pano e plástico), copos, pratos, panelinhas, sucatas, caminhões, carrinhos, aviões, motos, etc - animais (selvagens e domésticos)

-regressivos: massa modelar, tintas, balde, água, areia, barro

-construtivos: jogos, formas e blocos, papel (branco e colorido), canetas, lápis, canetinhas, lápis de cor, pincéis e tintas, tesoura, barbante, cola, palitos,tampinhas,plásticos e panos,montagens

-agressivos: revólver, espada, bola (pequena, média, grande), arco e flecha

-optativos: jogos, fio e agulha, vela e fósforo



ii) NA ESCOLA



Lembre-se: Cada criança é um indivíduo único e tem seu próprio tempo para aprender cada coisa, nem todas as crianças entram na escola sabendo as mesmas coisas!



Ir a escola pela primeira ver, ou mesmo retornar de férias à escola, pode trazer uma situação muito delicada e barulhenta. A criança pode começar a chorar, gritar e se desesperar e esse comportamento pode gerar muita angústia e sofrimento aos pais.

A criança tem essa reação porque ainda não consegue fazer uma projeção do tempo e por isso não entende que ficará apenas algumas horas ali e logo poderá ver seus pais. Na hora da separação acaba se comportando como se fosse uma despedida definitiva. Assim, os pais devem estar bem seguros sobre o momento de colocar seu filho na escola e que a escola escolhida cuidará bem da criança, mesmo que ela esteja chorando e não tenha vontade de ficar lá.

Mesmo que a criança tenha dado um pouco de trabalho para ir a escola, os pais devem demonstrar carinho e afeto, não brigar e exigir que a criança goste rapidamente de ir a escola. A educação familiar é fundamental, pois são os pais que ensinarão ao filho humano os valores culturais e morais, por isso devem sempre que possível mostrar o quanto é importante aprender e desenvolver o gosto pelo conhecimento. Também quando a vida escolar se inicia a convivência entre pais e filhos pode ser usufruída. Pergunte ao seu filho como foi o dia na escola, o que ele aprendeu de novo, demonstre interesse na vida escolar da criança isso ajudará para que ela aprenda a importância de ir à escola e de se dedicar aos estudos.

Escolher a escola não é uma tarefa fácil. A melhor escola é aquela que está em sintonia com os valores e hábitos dos pais. Dessa maneira o diálogo entre pais e escola também é facilitado.

Depois de passar pela escolha da escola, o primeiro dia de aula os pais ainda devem continuar seu trabalho como educadores. Acompanhar a vida escolar de seu filho não é apenas um direito, é um dever já que a criança raramente irá fazer as tarefas de casa por conta própria, mas não faça o dever pelo seu filho. Valorize as conquistas do seu filho, faça elogios quando ele for bem em provas, receber um elogio da professora. É sempre mais importante dar atenção antes de mimos!

Os filhos imitam os costumes dos pais, o melhor ensinamento vem do exemplo. Assim, evite mentiras, gritos e ou dar recompensas arbitrárias seu filho para fazer tarefas e estudar. Paciência é uma das maiores virtudes de um bom educador, ser pai realmente não é tarefa fácil, mas tenha paciência quando seu filho não quiser fazer o dever de casa.

Outra coisa que deve ser lembrada: irmãos são diferentes, por isso evite estereótipos e comparações. Faça elogios e valorize o que cada criança tem de melhor. Elogias e valorizar não significa ser amigo de seus filhos, quando eles fizerem algo de errado exerça sua autoridade, isso não significa bater ou ser muito violento, mas sim impor limites à criança. Nunca sobreponha amizade à responsabilidade e autoridade, você deve ser pai (ou mãe) de seu filho e não um amigo que permite tudo.

O mercado de trabalho tem se tornado competitivo e por isso os pais acham que colocando seus filhos em vários cursos como: inglês, natação e outras atividades, estarão preparando melhor a criança para o futuro. Cuidado! Excesso de atividades pode acabar reduzindo o desempenho. Mesmo depois da primeira infância a brincadeira com os amigos e com os pais é uma forma de aprendizado importante para a criança.



iii) PROBLEMAS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM



O problema de aprendizagem é uma perturbação ou falha na aquisição e utilização de informações ou na habilidade para solução de problemas. Geralmente, essas dificuldades tornam-se mais aparentes quando a criança entra na escola, pois os conteúdos ficam mais complexos, além disso, em um grupo maior de crianças é possível fazer comparações entre a mesma faixa etária e perceber se alguma apresenta dificuldades que as demais do grupo não possuem.

Para que a criança aprenda devem estar presentes condições para que isso ocorra de maneira satisfatória. Podemos dividir essas condições em três grupos:

1) Funções psicodinâmicas: deve haver integridade psíquica e emocional para que a criança aprenda. Criança sob forte stress em casa ou na escola pode apresentar dificuldade de assimilar o que lhe é ensinado.

2) Funções do sistema nervoso periférico: Uma criança com problemas de visão ou audição recebe menos informações ambientais. Se ela não for atendida em suas necessidades pode não aprender adequadamente os conteúdos apresentados na escola ou mesmo fora dela.

3) Funções do sistema nervoso central: O cérebro é o responsável pelo armazenamento, elaboração e processamento da informação. Uma pequena parcela das dificuldades de aprendizagem pode ser resultante de problemas nos processos cerebrais, o que exige investigação cuidadosa de um profissional.



As dificuldades no aprender podem, portanto, ser causadas pela ausência de uma das condições mencionadas acima. Eventualmente o problema em um nível pode trazer problemas em outro nível. Por exemplo: uma criança que enxerga mal e não usa óculos (grupo 1) pode ter seu desempenho prejudicado e se sentir excluída no ambiente escolar (grupo 2).



TIPOS DE PROBLEMAS:



a) Leitura

Os problemas específicos de aprendizagem mais comuns são os distúrbios de leitura - dislexia -, pois envolvem uma série de processos cognitivos. Para ler um texto escrito precisamos:

1) Ter atenção dirigida e controlar os movimentos dos olhos pela página

2) Reconhecer os sons associados com as letras

3) Entender as palavras e a gramática

4) Construir idéias e imagens

5) Comparar as idéias novas com as que você já tem

6) Armazenar idéias na memória.



Você pode detectar algum dos sinais de dislexia em casa, observando, por exemplo, se o seu filho apresenta:

1) Atraso na leitura de dois ou mais anos com relação às crianças da mesma idade

2) Velocidade na leitura é inferior a 50/60 palavras por minuto.

3) Erros freqüentes na leitura (omissões, substituições, inversões de fonemas - vogais e consoantes sonoras)

4) Não diferencia adequadamente os lados direito e esquerdo

5) Ver outros sinais considerados importantes



b) Escrita: habilidade escrita abaixo do nível esperado - disgrafia - para idade, inteligência e escolaridade.



c) Cálculo: dificuldade nos procedimentos de cálculos iniciais - discalculia -, envolvendo estratégias de contagem para resolução de problemas aritméticos de adição e subtração.



Se a criança apresenta alguma dificuldade de aprendizagem ela deve ser examinada por um profissional - psiquiatra infantil, psicólogo, psicopedagogo - que fará uma avaliação do problema e o encaminhamento adequado.

Durante essa avaliação, o profissional irá realizar uma série de investigações em vários níveis:

1) Avaliação psicopedagógica: Observa-se a escola e o método pedagógico avaliando se é adequado e se não existem fatores emocionais e motivacionais dificultando a aprendizagem.

2) Avaliação neuropsicológica: são investigadas as funções de atenção, memória, habilidades motoras, linguagem, leitura, escrita, aritmética, percepções visuais, auditivas e sinestésicas, função intelectual e aspectos emocionais.

3) Testes psicológicos.



Lembre-se: O acompanhamento atento e cuidadoso dos pais é sempre o melhor meio de detectar precocemente dificuldades escolares.





Referências:



Pereira, E. P. Projeto Brinquedoteca na Universidade Federal do Paraná: Relato da Experiência disponível em < http://www.eci.ufmg.br/gebe/downloads/114.pdf>

Ciasca, S. M. (org.) Distúrbios de Aprendizagem: Proposta de Avaliação Multidisciplinar, Casa do Psicólogo, 2003



*Graduanda em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP

**Psicóloga. Mestranda do Instituto de Psicologia da USP

Projeto Distúrbios do Desenvolvimento do Laboratório de Saúde Mental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP)

Site do PDD: http://disturbiosdodesenvolvimento.yolasite.com

Artigo disponível em:

http://www.psiquiatriainfantil.com.br/biblioteca_de_pais_ver.asp?codigo=52

TDAH - CONTINUAÇÃO

Conforme falamos semana passada, o diagnóstico de TDAH pode ser difícil, pois os sintomas demonstrados pelos pacientes podem ocorrer não só devido ao TDAH, como também a uma série de condições neurológicas, psiquiátricas, psicológicas e sociais.

Normalmente o diagnóstico começa pela eliminação de outras patologias ou problemas sócio/ambientais, possivelmente causadoras dos sintomas. Além disso, os sintomas devem, obrigatoriamente, trazer algum impacto na vida da criança.

A idade e a forma do surgimento dos sintomas também são importantes, devendo ser investigados, já que no TDAH, a maioria dos sintomas está presente na vida da pessoa normalmente desde a infância. Portanto, por se tratar de um transtorno crônico, os sintomas de dificuldade de atenção/concentração ou hiperatividade semelhantes ao TDAH mas que apareçam de repente, de uma hora para outra, tem uma grande possibilidade de NÃO ser TDAH.

Para que se considere o diagnóstico de TDAH, os sintomas devem se manifestar em vários ambientes (escola, casa, viagens, etc..). Os sintomas que só aparecem em um ambiente, como por exemplo, só em casa, só na escola, só quando sai de casa... etc., devem ser investigados com mais cuidado.

Muitas vezes os professores são os primeiros a detectar o problema, já que podem comparar a conduta entre crianças da mesma idade. Quando se suspeita que a criança possa estar sofrendo deste transtorno, deve-se realizar uma consulta com um profissional especializado.

O plano terapêutico se baseia fundamentalmente em três premissas:

1. Adequação das opções educativas

2. PsicoterapiaAtualmente se tem provado maior efetividade com o uso de terapias do tipo cognitivo- comportamental.

3. Tratamento farmacológico

Os fármacos chamados psicoestimulantes, como por exemplo o metilfenidato (Ritalina®; Concerta®) tem permitido, junto com a psicoterapia, melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dessas crianças. O médico especialista pode utilizar outras medicações, como por exemplo, os antidepressivos. Devem realizar-se controles periódicos, valorizando entre outros, o apetite, o crescimento e o sono, que são os problemas mais freqüentes que se associam ao uso desses medicamentos.É natural que exista certa preocupação por parte dos pais em usar os fármacos por tanto tempo mas, devem sempre ser avaliados os riscos e benefícios do tratamento, juntamente com a qualidade social e escolar da criança.

Embora o TDAH seja uma entidade bem conhecida e estudada no meio médico, ainda causa muitas dúvidas na população geral. Vamos continuar tratando deste tema nos próximos posts e eu sugiro o livro “No mundo da lua” do Dr Paulo Mattos como um bom início.

Um abraço
Dra Alessandra

terça-feira, 26 de outubro de 2010

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

Essa semana, dando continuidade ao tema transtornos do aprendizado, vamos conversar sobre uma situação que não é um transtorno primário do aprendizado, porém apresenta grande impacto no desenvolvimento escolar de seus portadores, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH.

Assunto repleto de controvérsias e de informaçãoes incorretas, muito me agrada seu estudo (tanto que estou fazendo meu doutorado neste tema). Por isso, vamos tentar expor de forma clara e direta, sem qualquer intenção de esgotar o assunto.

Trata-se de um transtorno neurobiológico freqüente nas crianças em idade escolar, atingindo 3 a 5% delas. Apesar disto, o TDAH continua sendo um dos transtornos menos conhecidos por profissionais da área da educação e mesmo entre os profissionais de saúde. Há ainda muita desinformação sobre essa questão.

Embora o TDAH não seja um distúrbio primário do aprendizado ,tem um forte impacto neste, pois é na escola que as crianças com TDAH vão apresentar problemas de comportamento, baixo rendimento entre outros.

Determinar qual o nível de atividade normal de uma criança é um assunto polêmico. A maioria dos pais e escolas tem uma certa expectativa em relação ao comportamento de seus filhos e, normalmente, esta expectativa inclui um certo grau agitação, bagunça e desobediência, características que são aceitas como indicativos de saúde e vivacidade infantil. Porém, quando essa atividade é muito aumentada, associando-se à outras questões comportamentais, como a impulsividade e levando à um impacto negativo na vida da criança, podemos começar a pensar no transtorno.

O TDAH caracteriza-se primariamente por:
1. Dificuldade de atenção e concentração, característica que se pode estar presente desde os primeiros anos de vida do paciente.


2. A criança (ou adulto quando for o caso) tende a se mostrar "desligada", tem dificuldade de se organizar e, muitas vezes, comete erros em suas tarefas devido à desatenção. Estas características tendem a ser mais notadas por pessoas que convivem com o paciente.

3. Costumam perder ou não se lembrar onde colocaram suas coisas.

4. Têm dificuldades para seguir regras, normas e instruções que lhe são dadas.

5. Tem aversão à tarefas que requerem muita concentração e atenção, como lições de casa e tarefas escolares.

6. Movimento incessante de mãos e pés, dificuldade de permanecer sentado ou dentro da sala de aula, fala muito, se mexe muito e tem dificuldade em realizar qualquer tarefa de maneira quieta.

7. Incapacidade de esperar a sua vez, interrompendo ou cortando outras pessoas durante uma conversa e também pelo impulso de falar as respostas antes que as perguntas sejam terminadas.

Esses critérios diagnósticos são do DSM- IV, um instrumento diagnóstico reconhecido internacionalmente.

Outro motivo que gera ansiedade na familia é que o TDAH é uma condição cujo diagnóstico é eminentemente clínico, ou seja, não há exames complementares que confirmem o diagnóstico.

Procurar um médico neuropediatra ou psiquiatra infantil é o primeiro passo na suspeita da condição.

Na sequência vamos abordar o tratamento e algumas dicas para lidar com essas crianças.

Para maiores informações, sugiro o site: www.tdah.org.br

Um abraço
Dra Alessandra

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A dor da perda

Criança não tem que morrer! É anti-natural. Nos preparamos (mal e porcamente, diga-se)para a perda de nossos antecessores, mas perder um filho é algo em que ninguém pensa.

Esse post é mais um desabafo das minhas dúvidas existenciais, que compartilho com vocês. Coisas que infelizmente permeiam meu dia a dia, ainda bem que com uma frequencia baixa, e com as quais temos que aprender a conviver.

Essa semana um paciente meu faleceu. Um menino fofo que conhecia há 6 ou 7 anos, quase da família!! Morreu...de catapora!!! Como pode? Uma bobagem. Logo ele, um menino tão forte, que passou por tantas. Vários quadros pulmonares, internações, várias vezes achamos que poderia ser fatal, mas dessa... Coisas da vida.

Uma criança encefalopata, com um quadro motor importante, que comia por uma sonda na barriga chamada gastrostomia desde o nascimento, mas que tinha um bom contato. Conhecia sua família, sua rotina. Um sorriso cativante. Um menino amado por sua família e muito, muito bem cuidado. Sempre cheiroso e bem arrumado.

Eu vejo tantas crianças mal cuidadas, crianças que as famílias prefeririam a sua morte, mas estão lá firmes. Esses são os mistéros da vida. E como diz o ditado: “Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz!”

Mas eu prefiro pensar que criança é luz e embora no velório eu não tivesse o que falar para a mãe, porque nada que a gente fale faz sentido, eu creio que ele veio cumprir sua missão e foi brihar em outras paragens. Não vi o corpo, pois prefiro lembrar de seu sorriso nas brincadeiras, de seus sons tentado se comunicar, de sua luta a cada dia por mais um dia. Criança não morre, vira estrela. E nós, continuamos aprendendo com elas.

Um abraço
Dra Alessandra

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dificuldades na aprendizagem: Por que algumas crianças não vão bem na escola?

O processo de aprendizagem depende de muitas variáveis além da inteligência propriamente dita. Embora o conceito de inteligência seja algo amplo e extremamente variável, vamos considerar uma criança dentro da média para a sua idade e que mesmo assim não aprende dentro do esperado.

Uma das vaiáveis mais significativas dentro do processo de aprendizagem é a atenção. O SNC mantém contato seletivo com as informações que chegam através dos orgãos sensoriais, dirigindo a atenção para aqueles que são relevantes e garantindo uma interação eficaz como meio, ou seja a atenção está relacionada ao processamento preferencial de determinadas informações sensoriais.

A atenção é a capacidade do indivíduo responder predominantemente aos estímulos que lhe são significativos em detrimento de outros. Esse processo de atenção seletiva é a base para um bom aprendizado.

As dificuldade no aprendizado podem ser definidas como perturbação em um ou mais processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar ou fazer cálculos matemáticos.

As dificuldades de aprendizagem referem-se não a um único distúrbio, mas a uma ampla gama de problemas que podem afetar qualquer área do desempenho acadêmico.

A avaliação multiprofissional é a única forma de realizar um diagnóstico adequado destes quadros e abordá-los terapeuticamente da melhor maneira.

Na próxima semana continuarei falando sobre este tema.

Um abraço
Dra Alessandra

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Criança é tudo de bom!!!

Atendi uma menina semana passada, com 14 anos e um quadro grave de ECNE (ou paralisia cerebra – eu não gosto desse nome!!) que me deu uma lição de vida. Na verdade, não ela, mas sua irmãzinha – uma figurinha que veio junto à consulta.

S. tem um quadro de incapacidade motora grave (forma tetraespástica de ECNE), associado à uma deficiência visual importante, sequela de uma infecção congênita por citomegalovírus. Não fala, não anda, não senta, tem poucas aquisições tanto motoras, quanto cognitivas.

É uma menina muito bem cuidada, com órteses, cadeira de rodas adaptada e uma família bem continente às suas necessidades.

A mãe me contava que teve muita dificuldade para ter um outro filho. Isso só ocorrreu quando S. estava com 10 anos, pois tinha muito medo de se repetir toda a história de sofrimento e superação que foram os primeiros anos de S., com muitas crises epilépticas, muitas penumonias, várias internações, enfim, muito sofrimento.

Mas, pela vontade do pai e insistência da família e até dos médicos que acompanhavam o caso, ela acabou cedendo e engravidou. A irmã, M. é uma fofa. Três anos de pura energia. Esperta, alegre, presente. Me falou de sua irmã, das dificuldades motoras de S., e que ela ajuda a cuidar, pois ela é pesada e a mãe tem dificuldades para cuidar sozinha. Gosta de ajudar no banho, levantando o braço e esfregando a barriga de S.

Mas o que ela mais gosta mesmo, é de brincar de se maquiar com S., faz penteados lindos na irmã. Trata a irmã com uma ausência de preconceitos e com um amor incondicional, que acho que só as crianças são capazes. Ela não entende a diferença como uma perda e sim como algo natural. “Ela é diferente de mim e eu adoro ela” – foi a frase que ela me disse. Simples, clara, resolutiva.

É uma pena que nós adultos tenhamos perdido esse olhar para o outro, essa coisa pura de enxergar o outro sem susto, sem preconceito, sem julgamento. Essa magia que só a criança tem. Tenho uma amiga de residência (que não vejo há tempos) que falava que a pediatria tem pó de pirlimpimpim. É um mundo encantado, onde até as dores são diferentes.

S., é claro, melhorou muito após o nascimento da irmã. Mais alerta, mais atenta, sabe até as rotinas da irmã, que já vai para a escola e espera ansiosa pela sua volta. Não fala, mas quando ouve a voz de M. sorri agradavelmente. E M. competa: viu, tia, como ela me conhece? E sai novamente correndo pela sala atrás de brinquedos para brincar com a irmã!


Boa semana! Um abraço!
Dra Alessandra

sábado, 2 de outubro de 2010

O sono infantil - continuação

Continuando nossa conversa sobre os padrões de sono na infância e seu desenvolvimento de acordo com a faixa etária, vamos hoje conversar sobre o sono de lactente até a adolescencia e no final dicas para tornar esse momento de descanso e paz, num momento realmente agradável.

1 ano

Começam a ocorrer brigas na hora de dormir. A criança está tão entusiasmada com suas novas habilidades, que sossegar para dormir torna-se cada vez mais difícil.
A criança de um ano dorme de 10 a 11 horas por noite e tira duas sonecas de uma a duas horas durante o dia. Como sempre, ela é quem sabe quanto sono precisa.
Dica: Uma mamadeira à noite não é um bom hábito. Não é bom para os dentes. Se começar a fazer parte da rotina, a criança precisará sempre da mamadeira para dormir, até mesmo quando acordar no meio da noite.

2-5 anos

Elas dormem de 11 a 12 horas à noite e talvez uma a duas horas à tarde.
Reduzem as sestas diurnas;
Redução dos despertares noturnos;
Os problemas são geralmente relacionados à falta de rotina.
Ser coerente com as regras diárias para a hora de dormir é a melhor maneira de ensinar os bons hábitos de sono para a criança.
6-12 anos

Não tem mais hábito de sesta, reduz-se também a dificuldade para dormir. Os pesadelos e os sonhos vívidos são frequentes. Insônia, resistência para dormir e ansiedade são os principais problemas desta idade.
Em crianças hiperativas os distúrbios de sono são um achado importante como dificuldade para dormir, despertares freqüentes podendo estar acompanhados de comportamento inadequado durante à noite, destruindo objetos da casa.
Adolescência

Adolescentes dormem de 9 a 10 horas por noite. O tempo de sono noturno decresce no início da adolescência durante os dias em que eles vão à escola, enquanto continuam estáveis naqueles em que não vão à escola. Ocorre, portanto, um déficit crônico de sono determinado pela pressão social. Por isso surge a sonolência durante o dia e o desejo de dormir durante o dia caso surja alguma oportunidade.
A sonolência diurna também pode estar relacionada à maturação física e hormonal do adolescente.
Para que as crianças aprendam a dormir, é necessário rotina, ajuste de horários e paciência, muita paciência.


Dicas:
Evite ninar bebê no colo diariamente (o correto é colocá-los na cama ou berço e ler ou contar uma estória por uns 15 minutos ou cantarolar embalando-o pelo mesmo tempo);

Manter horário fixo para despertar matinal;

Adequar horário de dromir de acordo com a rotina da família;

Rotina pré-sono: reduzir atividades; evitar ingesta excessiva de líquidos e cafeína; evitar TV;

Ambiente de sono escurecido, com temperatura adequada;

Nada de perambular com a criança pela casa no carrinho de bebê, ou pior ainda, colocar no carro e dar uma volta, ou colocar o bebê-conforto em lugares esquisitos, como sobre a máquina de lavar (ninguém precisa ser chacoalhado para pegar no sono. Dê uma fraldinha, que ele se auto ninará);
Não ofereça mamadeira ou chá a cada choramingo, elas só podem existir se fizerem parte do ritual;
Deixe o quarto da criança quando ela estiver sonolenta, mas ainda acordada. Ela deve perceber que está sozinha, para não se assustar quando despertar no meio da noite;
Nada de inventar situações negativas em relação ao sono, como bicho-papão;
E atenção!! Berço não é lugar para castigo! Dormir é um prazer! Ensine isso à seu filho!!

Boa semana
Um abraço
Dra Alessandra

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....