terça-feira, 22 de abril de 2014

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A COMORBIDADE

Comorbidade é a presença ou associação de duas ou mais doenças no mesmo paciente. Deriva do latim “cum” à contigüidade, correlação, companhia e "morbus“ que  designa estado patológico ou doença. É a coexistência de transtornos ou doenças no mesmo indivíduo.

Várias situações clínicas predispõe a ocorrência de outras em associação. Por exemplo, a frequência de epilepsia em indivíduos com transtorno do espectro do autismo (TEA) é bem maior que na população geral. Assim como a presença de TEA e outros transtornos psiquiátricos nos pacientes com paralisia cerebral (PC). Na PC temos ainda outras comorbidades bastante frequentes, como a deficiência intelectual e a epilepsia.

Em algumas situações como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade a presença de comorbidades é muito frequente e eventualmente, a ocorrência pura do transtorno é até menos observada do que associado a outras condições.  

É de extrema importância a investigação e o diagnóstico das comorbidades, especialmente nos casos onde o quadro clínico é duvidoso ou a resposta ao tratamento não é satisfatória.

Conhecer as situações clínicas mais comumente associadas e realizar o correto diagnóstico é fundamental para um bom planejamento terapêutico.

É sempre importante salientar que procuramos ativamente por um menor número de diagnósticos que expliquem a queixa clínica, mas a presença de outras situações clínicas associadas não devem trazer angústia ou aumentar as preocupações e sim melhorar o tratamento e a qualidade de vida.

Um abraço
Dra Alessandra

"comorbidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/comorbidade.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Transtornos do Espectro do Autismo

Vamos novamente tecer algumas considerações sobre essa situação frequente, abordando principalmente seu conceito e a nova classificação.

A palavra “autismo” deriva do grego “autos”, que significa “voltar-se para si mesmo”.  A primeira pessoa a utilizá-la foi o psiquiatra austríaco Eugen Bleuler em 1911. A palavra autismo referia-se a um quadro de “ensimesmar-se”, tornando-se alheio ao mundo social – fechando-se em seu mundo.
Em 1943 o psiquiatra infantil norte americano Leo Kanner estudou com mais atenção 11 pacientes  e observou neles o autismo como a característica mais marcante e usou a expressão “Distúrbio Autístico do Contato Afetivo” para descrever o quadro, que se caracterizava por isolamento extremo, comportamento obsessivo e estereotipias.
 O autismo e as condições relacionadas ao espectro do autismo são condições crônicas, cujas manifestações comportamentais incluem déficits qualitativos na interação social e na comunicação, padrões repetitivos e estereotipados de comportamento e um repertório restrito de interesses e atividades. De acordo com a classificação vigente desde 2013, o DSM – 5, os transtornos antes classificados como Autismo infantil, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e Síndrome de Asperger, passaram a ser denominados Transtornos do Espectro do Autismo (TEA).
A epidemiologia dos TEA corresponde a aproximadamente 1 caso em cada 80 a 100 crianças, predominando no sexo masculino. Essa prevalência vem aumentando nas últimas décadas, especialmente pela realização de diagnósticos mais precoces e mais acurados, associada a uma melhor e mais ampla definição dos critérios diagnósticos.
O diagnóstico dos TEA é baseado principalmente no quadro clínico do paciente, não havendo ainda um marcador biológico que o caracterize, ou seja não há exame complementar que confirme ou afaste o diagnóstico.
Essa avaliação diagnóstica deve ser preferencialmente realizada por uma equipe multidisciplinar, composta pelo médico neuropediatra ou psiquiatra da infância, neuropsicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, que vão além de dar o diagnóstico, montar o melhor plano terapêutico para a criança.

Hoje ainda não se pode prevenir o autismo, mas o diagnóstico precoce e uma intervenção comportamental intensiva são capazes de melhorar os resultados funcionais de muitas crianças.

Um abraço

Dra Alessandra

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Novos atendimentos - Terapia Ocupacional

Amigos

Como vocês sabem, obra é uma coisa que tende ao infinito. Mas aos poucos vamos montando a clínica e colocando todos os atendimentos que planejamos.

Já estamos atendendo com neurologia infantil, neuropsicologia e acupuntura. Temos ainda, a parceria com a fonoaudiologia no mesmo local, para avaliação multiprofissional de problemas escolares, além de avaliação auditiva com processamento auditivo central (PAC).

Na próxima semana, estaremos iniciando o atendimento de terapia ocupacional (TO). E para saber um pouco mais sobre essa especialidade, segue o texto da nossa TO Caroline Piotto, que também atua na AACD.


Terapia Ocupacional


Terapia Ocupacional é uma profissão de nível superior que atua no campo da saúde, da educação e na esfera social. Volta-se à prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas em todas as faixas etárias, com alterações cognitivas, motoras, sensoriais e psicoemocionais, que as prejudiquem no desempenho de suas ocupações cotidianas, tais como tomar banho, vestir-se sozinho, trabalhar, brincar, estudar, fazer compras, entre outras. Busca facilitar a autonomia e a independência das pessoas promovendo a saúde e a qualidade de vida.




Caroline Regina Piotto
Terapeuta Ocupacional especialista em Terapia Ocupacional no Contexto Hospitalar pela  Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , em Terapia da Mão pelo Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Conhecimento em Avaliação e Tratamento de Pacientes com Disfunção Neurológica  Baseado no Conceito Bobath, bandagem  terapêutica pelos métodos Therapy Taping e International Dynamic Taping e Integração Sensorial  e sua utilização com crianças com distúrbios de aprendizagem e neurológicos, tais como paralisia cerebral e autismo.


Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....