sábado, 17 de maio de 2014

Algumas considerações finais sobre o Congresso Internacional de Neurologia Infantil


Retomo o assunto do congresso para deixar algumas considerações que não tinha abordado anteriormente.

Muito se falou em Paralisia Cerebral (PC) e isso foi ótimo. Esse tema durante algum tempo ficou meio que esquecido, como se pouca coisa tivéssemos para fazer por esses pacientes. Nos últimos anos a reabilitação ganhou fôlego e tecnologia e com isso o tratamento da PC voltou à tona, com mais possibilidades. 

Reabilitação Virtual, realidade virtual, inúmeras técnicas, várias novidades para reabilitação tanto na PC quanto no autismo e até para TDAH foi o que se viu no Congresso. Países investindo fortemente na funcionalidade e na adaptação da pessoa com deficiência.

Outra coisa que se falou muito foi da importância de diagnóstico, e especialmente, intervenção precoce. Mesmo sem um diagnóstico final, estimular a criança com qualquer tipo de atraso o mais cedo possível é fundamental para a melhor evolução.

Finalmente, e mais importante, foi o papel da família e das entidades de suporte, associações, grupos, criados pelas famílias para acolherem outras famílias, lutar pelos direitos de seus filhos e principalmente, exercerem papel ativo e atuante na reabilitação de suas crianças. 

Realizar estimulação domiciliar e ambiental na criança especial é muito importante, talvez mais até que a reabilitação formal. A foto abaixo demonstra a importância do envolvimento não só da família como da comunidade no tratamento da criança com deficiência. 

Esse é o ponto que mais destaco. Participação ativa, envolvimento. Aprender a cuidar do seu filho. Pais, mães, avós, tios, todos envolvidos formando uma rede de amor e investimento na criança. 

Um abraço
Dra Alessandra






domingo, 11 de maio de 2014

Congresso Internacional de Neurologia Infantil 2014


E o Congresso acabou! Foi tão corrido que nem tive tempo de ir colocando as novidades para vocês.

Participar de um congresso internacional é sempre uma emoção diferente. Ainda mais neste, que foi no Brasil. Convidados de vários países se misturavam aos muitos brasileiros que foram até a bela Foz do Iguaçu no Paraná prestigiar o evento.
Mais de 900 participantes fizeram deste encontro uma semana rica de trocas e confraternização.

Muito se falou da medicina dos países ditos “em desenvolvimento”, mas que na prática nada mais são que países pobres, com uma medicina precária e mal distribuída, onde os ricos tem toda a tecnologia de ponta e a saúde pública carece de elementos básicos. Neste aspectos somos assustadoramente parecidos com a índia e com países africanos. Todo nosso conhecimento e tecnologia não chega para a maior parte dos pacientes. Enquanto se falava em ressonância neonatal para diagnóstico precoce de paralisia cerebral, nós ainda lutamos por ultrassonografia nas UTIs neonatais da rede pública.

Assuntos importantes como paralisia cerebral, neurologia do desenvolvimento, neurologia neonatal e epilepsia foram devidamente abordados, com palestras muito interessantes, trabalhos de vários países mostrando diversas faces destas patologias, incluindo um trabalho do nosso serviço, que tive a honra de representar. Nestes momentos a discussão era extremamente prática e de interesse para a rotina de trabalho de cada um.

Outros assuntos como doenças metabólicas, doenças neuromusculares e neurogenética também foram amplamente discutidos. Mas nestas áreas nosso país está muito atrás. Coisas lindas são feitas, pesquisas interessantes são desenvolvidas, mas infelizmente, isso ainda está muito longe da nossa realidade. Aqui, ainda demoramos muito a realizar esses diagnósticos e mais ainda para dar o tratamento adequado. Fica uma sensação de impotência e frustração. Entretanto fica também a esperança de que a luta é árdua mas é possível e que vale muito a pena.

Sempre me pergunto quando vou a congressos, o que isso fica para a minha vida segunda-feira quando for atender meus pacientes. E fica muita coisa. Coisas ótimas, como novas possibilidades de tratamento e investigação, como a certeza de que embora com poucos recursos, fazemos uma medicina pautada pelo estudo, pelo conhecimento e pela responsabilidade com o outro.

Mas fica também algumas tristezas, como a de reconhecer que se houvesse interesse político poderíamos ter um país com a saúde muito melhor para nossa população. Políticas públicas de saúde bem feitas, dinheiro bem investido, menos corrupção, políticos mais interessados no trabalho e menos em cuidar dos próprios interesses são ações que podem melhorar nosso caminho. E parte disso está nas nossas mãos. Votando com consciência e cobrando de nossos representantes. Vamos ao trabalho!

Boa semana
Um abraço
Dra Alessandra


FELIZ DIA DAS MÃES!


A Clínica Vivere e eu desejamos a todas as mamães do mundo um lindo dia das mães! Que o amor permeie esse dia e que seus filhos sejam sempre grandes motivos de alegria e satisfação nas suas vidas.
Que nossas mamães especiais tenham confiança e esperança que seus filhos sejam produtivos e adaptados e que consigam atingir  o máximo de seu potencial.
E que o mundo se abra para uma convivência produtiva e isenta de preconceito. Que a diversidade seja entendida e vivenciada com naturalidade!
Feliz dia das mães!!

domingo, 4 de maio de 2014

Feriado é para estudar - Congresso Internacional de Neurologia Infantil



Essa próxima semana estarei participando do Congresso Internacional de Neurologia Infantil. Neste congresso neuropediatras do mundo todo estarão se encontrando para discutir temas relevantes da especialidade.

Realizado na bela Foz do Iguaçu, cidade onde vivi o final da minha infância e o inicio da adolescência e que há muito não revia, o congresso chega cheio de boas expectativas. Teremos horas e horas de palestras, encontro com amigos e apresentação de trabalhos.

Vários temas relevantes serão tratados por aqui. Neurogenética, epilepsia, paralisia cerebral,  desordens neurometabólicas, atualização em neuroimagem, nueroimunologia, entre outros temas. O congresso tenta passar por todas as áreas de interesse e de relevância dentro da especialidade. Convidados de altíssimo gabarito e relevância mundial fecham o pacote que promete muitas novidades e bons momentos para rever amigos e matar saudades.

Trago na bagagem, além de toda a expectativa, vários trabalhos para apresentar, que representam nossa produção, nossas possibilidades, nossa contribuição. É o nosso dia a dia virando tema de interesse e discussão. Nosso trabalho sendo relevante para outras pessoas. E isso é uma animação e uma satisfação a parte.

Vou tentar, durante a semana, ir postando as novidades e minhas observações sobre o congresso.

Um abraço! Boa semana!

Dra. Alessandra



domingo, 27 de abril de 2014

Conhecendo a Integração Sensorial

Por Caroline Piotto
Terapeuta Ocupacional da Clínica Vivere, 
Especialista em Terapia Ocupacional no contexto Hospitalar (Santa Casa), 
Especialista em terapia de mão pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia (USP). 
Terapeuta Ocupacional  infantil da AACD- Osasco. 
Experiência nos métodos Bobath, IS, Therapy Taping e International Dynamic Taping. 

1) Como se define Integração Sensorial (IS)?

R.: Habilidade do cérebro de processar e organizar toda a informação que recebe através dos sentidos e preparar uma resposta adequada ao estimulo recebido. Segundo Ayres (1989), define IS como: “ o processo neurológico que organiza as sensações do próprio corpo e do ambiente e torna possível a utilização do corpo dentro do contexto ambiental. Os aspectos espaciais e temporais da informações recebidas de diferentes modalidades sensoriais são interpretados, associados e unificados. Integração sensorial é o processo da informação.”

2) Quais as sensações que recebemos?

R.: A sensações que recebemos são: táteis, auditivas, olfatórias, visuais, somestésica e gustativa.

3) O que é disfunção de Processamento sensorial? Como isso ocorre?

R.: A disfunção de modulação sensorial pode ser definida como problemas no ajuste e processamento das mensagens neurais que carregam informações sobre intensidade, freqüência, duração, complexidade e novidade de estímulos sensoriais. Na modulação sensorial, os processos neurofisiológico envolvidos são a habituação e a sensibilização, que ocorrem de acordo com o limiar neurológico de cada individuo, ou seja, de acordo com a quantidade de estímulos necessários para o sistema nervoso reagir.
O de habituação ocorre quando o indivíduo apresenta alto limiar neurológico, ocorre muita habituação, diminuem as transmissões sinápticas e o indivíduo responde de forma lenta ou até mesmo apática. Em contrapartida, poderão ser observados comportamentos de busca de estímulos, na tentativa de ampliar suas experiências sensórias acrescentando inputs de movimentos, toques e sons (hiporreação).
O de sensibilização ocorre quando o indivíduo apresenta baixo limiar neurológico, ocorre muita sensibilização, rápido disparo das transmissões sinápticas, gerando comportamentos de irritabilidade, excitabilidade, ansiedade ou de fuga daquele estímulo (hiper-reação).

4) Como a IS contribui para o desenvolvimento neuropsicomotor?

R.: Ela contribui para que o cérebro organize as informações recebidas e dê uma resposta adequada. Se a criança desde de pequena não receber informações sensoriais importantes de forma clara e concisa, isso pode afetar o seu desempenho neuropsicmotor.

5) Quem realiza esse tratamento?

R.: O tratamento é realizado por Terapeutas Ocupacionais ou profissionais com curso de especialização, que avaliam a criança através de observações clínicas, entrevistas com a família e testes, e conseqüentemente desenvolvem um programa individualizado composto de atividades de movimento e estimulação sensorial com orientação familiar e/ou escolar. A terapia ocupacional usa a integração sensorial como estrutura de vários tipos de planos de intervenção, promovendo senso de direção, permitindo um contexto dentro do brincar e facilitando respostas adaptativas nas áreas motora, social, afetiva e cognitiva.

6) Qual a população que se beneficia desse tratamento?
R.: Crianças com distúrbio do desenvolvimento como, autismo, paralisia cerebral, síndrome do X frágil, deficiência auditiva, deficiência intelectual, prematuros, exposição a drogas durante o período pré-natal, deficiência visual entre outros.

7) Quais os lugares onde pode ser aplicada a IS além do consultório e casa??

R: Pode ser aplicada também na escola, quinze minutos antes das aulas promovendo um bom rendimento acadêmico, interação social, aumento da atenção/alerta, concentração, memória e interesse.  O desfio sempre na medida certa promovendo a segurança emocional e física da criança. Tem do terapeuta um incentivo constante, reforço positivo e o ambiente sempre seguro, limpo e organizado.


Alguns sinais de problemas na integração sensorial:
1. Falta de força e tônus muscular, o que pode resultar em má postura e fadiga.
2. Má consciência espacial e desenvolvimento pobre da percepção de posição, resultando em insegurança durante os movimentos.
3. Falta de coordenação entre os dois lados do corpo. A criança pode ficar desajeitada e confusa quando as duas mãos precisam trabalhar em conjunto, como para atividades de cortar ou escrever.
4. Falta de coordenação entre os olhos e o corpo, de modo que há uso ineficaz de informação visual para auxiliar no desempenho de ações.
5. Atenção de curta duração. A criança geralmente tem dificuldade em focar nas tarefas que precisa fazer.
6. Lentidão ao desempenhar ou aprender tarefas motoras novas, uma vez que precisa pensar sobre cada movimento que faz. Desajeitada, bate-se nas coisas ou cai muito parecendo não ver os obstáculos no caminho.
7. Comportamento hiperativo; a dificuldade em concentração faz com que perceba todas as coisas ao mesmo tempo e não consiga se concentrar em uma só.
8. Sentido tátil mal desenvolvido, fazendo com que não goste de ser tocada, tenha dificuldade em aprender sobre a forma e textura das coisas. Por outro lado, pode não perceber seu espaço pessoal e tocar demais as pessoas, chegar perto demais.
9. Criança extremamente difícil para se alimentar: só come comidas com um certo tipo de textura, ou na mesma temperatura.
10. Apresenta medo excessivo, isola-se
11. Dificuldade em graduar a força que precisa para manipular objetos ou tocar as pessoas.
12. Problemas em usar e entender linguagem, resultando em problemas na fala, leitura e escrita. Problemas na articulação da fala sem razão aparente.


Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....