terça-feira, 10 de junho de 2014

BRINCADEIRA É COISA SÉRIA

A criança para seu pleno desenvolvimento neuropsicomotor, necessita de cuidados, boa alimentação e, sobretudo amor. Porém, nada é mais estimulante para o desenvolvimento das potencialidades de uma criança do que o brincar.

O brincar oferece possibilidades de sermos mais naturais, principalmente, na infância, onde construímos a nossa base psíquica, suporte para toda uma vida.

O brincar é essencial às crianças e nos revela de diversas formas que tem poder terapêutico natural, além de constituir auxílio na boa formação infantil.

O brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; conduz aos relacionamentos grupais; é a forma mais completa de se estimular e demonstrar amor a uma criança.

É no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e expressar sua personalidade de forma integral.

Sabemos que a brincadeira apresenta uma série de benefícios para qualquer criança. Brincar sozinho, fantasiar, brincar com outras crianças, onde espontaneamente se aprende regras sociais e de convivência e brincar com os pais, onde há um estreitamento da convivência e da intimidade, aprofundando a relação pai (ou mãe) / filho.

E é neste terceiro aspecto que encontro a maior dificuldade. Os pais não brincam mais com seus filhos. TV, videogame e computadores são agora os grandes brinquedos. Brincar de boneca, montar um quebra-cabeças em família, pular amarelinha, jogar bola não são mais atividades frequentes em grande parte das famílias. E eu me sinto meio estranha dando essa “receita”, mas oriento os pais a brincarem com seus filhos.

Através dos marcos do desenvolvimento da criança, com ou sem deficiência, iremos observar o quanto ela irá adquirindo movimentos e posturas que facilitaram a exploração dos brinquedos que lhes são oferecidos.  Mas para isso, é preciso estar com a criança, observá-la, conhece-la.

Para que isso ocorra é fundamental novamente a colaboração dos pais estimulando. Contato físico, visual, cantar para a criança, ter um tempo só para brincar e se dedicar a ela são aspectos fundamentais para a saúde física e mental do seu filho.

Então, mãos a obra. Vamos brincar! Você verá que esse é um exercício de amor que vai trazer felicidade e tranquilidade não só ao seu filho, mas a você também.

Sejam felizes!
Dra Alessandra


terça-feira, 3 de junho de 2014

PAIS TERAPEUTAS

Por Melanie Mendoza
Neuropsicóloga

Outro dia li um artigo na Internet sobre a “terceirização” da criação dos filhos. A matéria falava sobre crianças que eram cuidadas e educadas por babás que eram responsáveis por não apenas alimentar e dar banho, mas também ensinar o que é certo e errado, acompanhar a criança nos momentos de lazer, inclusive nas férias em família. Aos pais sobrava muito pouca coisa das tarefas relativas à maternidade e paternidade. 

Isso me fez pensar sobre o que ocorre nas relações entre nós, prestadores de serviços da área de saúde, os pais e nossos pacientes, as crianças e pacientes com deficiências.
Terapias para crianças tem como regra a necessidadede adesão da família. Ao contrário do ocorre com um adulto que faz reflexões sobre o corrido em terapia, os mais jovens vivem momento presente e depois tendem a esquecer, porque não faz parte da sua etapa de desenvolvimento refletir demoradamente sobre tópicos. 
Por esta razão, independente do diagnóstico, o psicólogo trabalha com orientações e propostas de mudanças ambientais para que o que foi aprendido durante a sessão seja efetivamente adquirido e utilizado em outros contextos melhorando a qualidade de vida do paciente.
O que ocorre quando o família acredita – de maneira consciente ou não – que sua tarefa está plenamente realizada ao ter contratado um profissional para tratar de sua criança? A resposta é simples: os resultados tendem a ser pífios.
Em países como os EUA ou Itália, existem parecerias com universidades e terapeutas ou a prestação de serviços públicos em modelos que tornam a demanda de trabalho dos pais muito menor. São oferecidas muitas horas semanais de terapia, apoio pedagógico e/ou acompanhantes terapêuticos nas escolas de forma que resta aos familiares mais o papel de pai e mãe e menos “co-terapeuta”.
Infelizmente essa realidade está muito longe de ser implementada em nosso país. ONG’s trabalham em seus limites de número de pessoal, financeiro e de vagas, portanto o número de atendimentos semanais deve ser reduzido ao essencial, cabendo aos familiares realizarem muito mais tarefas de estimulação cognitiva, fisioterapia, manejo de comportamentos disruptivos, e etc.
Nos serviços públicos, embora existam exceções, a realidade tende a ser pior, já ouvi sobre serviços que fazem atendimentos trimestrais, crianças atendidas por anos sem diagnóstico, modelos terapêuticos sem comprovação científica, para citar apenas alguns exemplos.
Enquanto não existir um sistema de saúde acessível formado por terapeutas com capacidade de atuação em equipes multiprofissionais e alto nível técnico capaz de absorver a demanda de pacientes, caberá sim aos pais e cuidadores trabalhar mais para que seus filhos desenvolvam plenamente seu potencial.
Vamos exigir atendimento eficaz e suficiente para os portadores de necessidades especiais e enquanto isso não acontece vamos trabalhar em parceria para o desenvolvimento de seu filho. 

Esse texto foi publicado no site acessibilidade total em abril de 2014.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O que te define?

Pouco tempo atrás atendi a uma menina que me tocou muito. Aos seis anos, ela tem uma condição chamada mielomenigocele (vide texto da Melanie Mendoza no blog), uma mal formação da medula espinhal e da coluna vertebral, associada a um quadro de epilepsia com bom controle com medicação. 

Restrita a cadeira de rodas, ela é uma menina muito inteligente e funcional. Alegre, falante, bem articulada, ela é a sensação da escola.

Ao perguntar o que ela mais gosta de fazer, ela me respondeu que é dançar ballet. Eu então perguntei como ela dança e ela com aquela espontaneidade própria das crianças me disse: "Assim tia!" E girou forte a cadeira de rodas levantando os braços em posição de bailarina, com o rosto virado de lado e um grande sorriso.

Confesso que a cena me emocionou muito. Descrevendo assim, é difícil imaginar a beleza e a pureza do momento. Essa alegria, essa felicidade genuína são características marcantes da infância, onde o preconceito e a cobrança excessiva ainda não fizeram o estrago que fazem na vida dos adultos. Uma fase bela, onde ainda acreditamos fortemente que podemos ser aquilo que queremos.

Esse evento me fez refletir sobre o que nos define. Há muitos anos atrás uma amiga médica, que tem epilepsia, me disse que essa situação nunca a definiu. Que a vida dela foi sempre permeada pela certeza de ser mais e maior que isso. Que ter epilepsia era um pedaço pequeno da vida dela, mas que o que ela tinha a oferecer ao mundo era infinitamente melhor do que uma dúzia de crises.

Obviamente isso requer muita força interior. Nosso mundo nos julga por critérios muito rígidos de aparência e normalidade e qualquer coisa que fuja desse padrão é vista com desconfiança. O preconceito que permeia a epilepsia, a deficiência física, sensorial e intelectual, parece querer reduzir as pessoas a meros representantes de sua condição patológica.

Mas pensando na minha pequena paciente, consigo ver claramente essas palavras. Ela não se deixa definir por aquilo que não pode fazer. É maior que sua deficiência. Não é a menina na cadeira de rodas e sim a menina que dança. 

Diariamente tenho esses exemplos. Crianças e adolescentes que não se deixam definir pelos seus diagnósticos. O diagnóstico é parte da sua vida e não ela inteira. Seus pais são indivíduos completos e não a “mãezinha” da criança com autismo ou paralisia cerebral. Muitos vem conseguindo vencer esse preconceito com leveza e grandeza de espírito.

Costumo enfatizar que o diagnóstico não é um rótulo que define as pessoas e sim um ponto de partida para alcançar todas as potencialidades possíveis. Vamos olhar o mundo dessa forma? Vamos nos encarar desta forma?

E você? O que te define? Pense grande. Sonhe alto. Defina sua vida pelas suas melhores características. Seja leve. E seja feliz.

Boa semana. Um abraço.
Dra Alessandra


domingo, 1 de junho de 2014

Gente nova no pedaço!

A partir do mês de junho, a clínica Vivere conta com mais uma profissional no seu quadro clínico. A Dra. Simone Spadafora - biomédica acupunturista e terapeuta floral, vem somar sua experiência, simpatia e competência à nossa equipe.

Medicina Tradicional Chinesa - Acupuntura

A medicina tradicional chinesa (acupuntura) faz as interpretações dos casos clínicos baseada em um pensamento holístico e integrativo, é uma medicina centrada na pessoa e não na doença.

As doenças físicas, emocionais e mentais são concebidas como diferentes aspectos, intimamente relacionados, de um mesmo todo, e não doenças de naturezas diferentes.

O ideal de saúde chinês caracteriza-se por um sentimento de harmonia e bem-estar, enfatiza o equilíbrio como chave para a saúde. Qualquer desarmonia contínua pode se tornar uma causa patológica. Esse equilíbrio não está em um protocolo, tem caráter individual. 

As diferentes técnicas terapêuticas chinesas visam estimular o organismo do paciente para que ele siga a sua própria tendência natural em voltar ao equilíbrio.

As dores físicas costumam ser a porta de entrada para a acupuntura. Mas, os aspectos biológicos são apenas parte da composição de um sujeito e da sua saúde. Fatores sociais, culturais, psicológicos e espirituais também constituem o Ser e contribuem positiva ou negativamente para a sua saúde.

Contrastando com os avanços tecnológicos e científicos, existem sérias limitações para responder efetivamente às complexas necessidades de saúde de indivíduos e populações.


Escutar o sujeito em sua subjetividade permite, realmente, tratá-lo. O acolhimento pode ser o ponto de partida e chegada para a ressignificação da vida!

Dra. Simone Spadafora
Biomédica especializada em Análises Clínicas e Acupuntura
Aperfeiçoamento em Gerontologia Social – Instituto Sedes Sapientiae
Mestrado em Gerontologia – PUCSP
Acupunturista nas ONGs: Associação São Joaquim de Apoio à Maturidade (idosos) ;
Instituto Adhara (surdos)
Professora de Pós Graduação em Acupuntura na Faculdade Mário Schenberg/Casa da Terra Cursos e Educação Continuada
Conhecimento da LIBRAS

sábado, 17 de maio de 2014

MIELOMENINGOCELE

Quando comecei a trabalhar com crianças com deficiência física me deparei com uma condição sobre a qual eu já havia estudado, mas é muito pouco citada apesar de relativamente comum em nosso país: a espinha bífida ou mielomeningocele (MMC).

Principal razão para o uso de ácido fólico na gestação, a MMC é um defeito na formação da medula durante a formação do feto. Para correção do defeito é realizada uma cirurgia para correção nos primeiros dias de vida do recém-nascido ou ainda no útero. Entre as sequelas estão vários graus de paraplegia, incontinência vesical. A reabilitação é, de maneira geral, voltada para correção/prevenção de deformidades, prevenção de lesões, ortostatismo e marcha.

Mas a MMC não afeta apenas os movimentos.Associada a ela existe uma mal formação de porções do cerebelo que pode causar hidrocefalia. Esta mal formação é camada de Chiari tipo II.
Não sabemos ainda todas as funções do cerebelo, mas estudos tem mostrado que seu papel vai muito além de controle dos movimentos. Pacientes com lesões nesta região apresentaram prejuízo em planejamento, atenção e linguagem, e alterações na personalidade, por exemplo.

A maioria das crianças com MMC apresenta desenvolvimento cognitivo próximo ao normal na primeira infância, especialmente nas habilidades linguísticas.Por conta disso, a avaliação de seu desenvolvimento intelectual é negligenciado até o final do primeiro ciclo do ensino fundamental. Estudos sistemáticos tem mostrado prejuízo em atenção e função executiva (comportamentos direcionados a uma meta futura) e ocorrência significativa de indivíduos com deficiência intelectual, além de funcionalidade reduzida na vida adulta. São observados também uma ocorrência acima do restante da população de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

Por causa de tudo isso, convido as pessoas que lutam por um mundo mais inclusivo que olhem também para essas crianças, adolescentes e adultos de maneira mais cuidadosa.

Um grande abraço,


Melanie Mendoza
Neuropsicologia
CRP 06/103028

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....