domingo, 30 de setembro de 2012

E AS FÉRIAS ACABARAM!

 
Há algum tempo aprendi a tirar férias. Sair, desligar, descansar. Sair de todos os empregos ao mesmo tempo, desligar o celular, Enfim, me dar tempo!
 
Às vezes fico em casa curtindo meu cantinho e minhas plantinhas, outras, viajo. Desta vez, viajei. Passei 20 dias viajando. Um momento lindo de descanso e aprendizado. Conheci lugares mágicos, me desliguei de todas as demandas do meu cotidiano. Realmente um tempo só meu.
 
E a viagem foi intensa. Descanso mental, mas quase uma aula de aeróbica... Andei, andei, andei. E aprendi, senti, compreendi.
 
Conhecer novos lugares, com o olhar atento e o coração aberto nos transforma, acrescenta. Foi uma viagem sensacional. Fui a Israel, numa peregrinação pelos caminhos de Cristo na terra Santa e depois Assis e Fátima, na Itália e Portugal, respectivamente. Lugares lindos, uma beleza para ser apreciada com os olhos e com o coração.
 
Mas Israel superou minhas expectativas. Longe de defender qualquer posição religiosa, entender os caminhos deste grande homem foi revelador. Independente da forma como o entendemos, desde filho de Deus até um grande filósofo, ele revolucionou o mundo, a ponto de dividirmos a existência humana, na maior parte do globo, em antes e depois de sua estada terrena.
 
Por isso foi intenso. Lugares com dois mil anos de história. Pedras milenares, construções que sobreviveram a guerras e terremotos, história viva. Energia pura.
 
Mas, a grande lição disso tudo é não passar em branco por essas vivencias. É que todo esse material humano e histórico que vi, vivi e senti, faça parte da minha vida, me modifique e que eu possa tocar outros corações com essa experiência.
 
A grande aprendizagem de qualquer viagem é voltarmos melhores do que fomos de alguma forma. E para isso, a viagem pode ser para o outro lado do mundo, ou para o outro lado da cidade. Ou pode nem acontecer. A diferença é nosso coração estar aberto às boas experiências e aos bons ensinamentos. Assim, as férias acabam, mas continuam eternamente em nossas vidas.
 
Boa semana! E aproveitem cada oportunidade da vida.
Um abraço.
Dra Alessandra 
Obs: foto - vista de Jerusalém

domingo, 26 de agosto de 2012

ENCONTROS E DESPEDIDAS


“O trem que chega é o mesmo trem da partida”. Assim nos fala os versos da linda canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, há pouco tempo regravada na bela voz de Maria Rita. A chegada é alegre, positiva, enquanto a partida, na maior parte das vezes é triste. Mas a música nos lembra que o trem é o mesmo, a vida tem chegadas e também adeus. E embora haja dor na despedida, há também crescimento, aprendizado.

Vocês que me acompanham no blog já sabem que desapego não é meu forte. Crio vínculos, me envolvo e dizer adeus, ou mesmo até breve, é difícil para mim.

Mesmo em situações positivas, como por exemplo, trocar de carro. Sim, eu crio uma relação com meu carro. Gasto dentro dele boa parte do meu dia. Então preciso me despedir, desapegar, deixa-lo ir fazer outras pessoas felizes.

Com meus bichos isso é obviamente muito mais intenso. Tenho uma relação de troca, de amor e de cuidado mútuo com eles. Entendo que bicho não é gente e que a brevidade da vida deles nos faz aprender a deixar ir, desapegar, a amar com a quase certeza que um dia eles vão nos deixar.

O processo racionalmente faz todo sentido, mas não fica fácil. O trem que trouxe aquele filhotinho fofo, gorducho, uma bolinha de pelo, tão fofo que chamamos de Fofão, foi o mesmo trem que levou nosso meninão num momento muito alegre de sua vida.

Serelepe, alegre, corria animado pelo quintal, espalhando alegria e baba por todo canto. Um belo São Bernardo, carinhoso e companheiro. Dividimos boa parte da vida dele e nos últimos anos ele foi morar com meus pais, onde continuou sendo muito amado e bem tratado, levando alegria e companheirismo à eles também.

E como não concordar que uma vida assim foi plena e feliz? Que sua missão foi lindamente cumprida e a saudade é só a certeza de um amor bem vivido? Isso consola. Esses pensamentos reconfortantes nos dão a força de olhar para esse momento com serenidade e só agradecer por esses lindos anos de convivência.

Tchau, amigão! Vá ser feliz naquele lugar encantado onde só os puros de coração descansam.
Um abraço. Boa semana.
Dra Alessandra

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

IMPERDIVEL - Palestra gratuita

A imagem desaparece....

Mas vai em texto. 
Segunda, dia 27/08 - PALESTRA TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR
Dra Evelyn Kukzinsky - psiquiatra da infância e da adolescencia.
EVENTO GRATUITO
LOCAL: Instituto de Psicologia da USP, bloco B sala 26
Organização: Projeto Disturbios do Desenvolvimento - IPUSP

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O QUE VEM POR AÍ!

Voltando a falar do Congresso, muitas novidades foram expostas no congresso e na feira de reabilitação. O aparato tecnológico de assistência à pessoa com deficiência não para de se aprimorar.

Técnicas de reabilitação robótica como o Lokomat, que permitem o movimento com auxílio e correção das deformidades. Andadores que se transformam em cadeiras de rodas para deambuladores de curtas distâncias, próteses articuladas com movimentação muito próxima do normal. Enfim, muitas possibilidades.

Ainda na área terapêutica, a estimulação magnética transcraniana na reabilitação após acidente vascular cerebral (AVC), para estimulação motora e o aprimoramento de técnicas como a reabilitação em espelho foram novidades e aperfeiçoamentos apresentados no encontro. Terapias intensivas na reabilitação precoce foram salientadas como o melhor plano de recuperação.

Todas essas possibilidades associadas à medidas objetivas dos ganhos funcionais. Cada vez mais propomos avaliações dos ganhos reais da reabilitação e com isso melhoramos cada dia mais o processo de recuperação pós lesional.

Entretanto é importante salientar, e isso foi muito comentado pelos palestrantes, que a terapia robótica ajuda de forma importante no movimento funcional. A órtese robótica e todo o aparato tecnológico está a serviço do tratamento, mas não é o tratamento por si só. 

Nada substitui uma boa equipe, composta por profissionais de diversas áreas, que vão olhar a pessoa deficiente com um indivíduo completo e pleno, com suas peculiaridades, suas dificuldades e sua pluraridade. Nada substitui esse olhar!


Outro ponto importante, que não posso deixar de salientar, é o quanto toda essa tecnologia é acessível. Quando tudo isso vai chegar à todos? Tenho certeza que vai demorar. Nosso país só é democrático e acessível para quem tem dinheiro e o poder público não usa o dinheiro público pelo bem maior da população. Então como diz o ditado, vamos manter um olho no peixe (nas possibilidades de reabilitação) e outro no gato (no uso racional e democrático do nosso dinheiro). Especialmente esse ano, que é ano eleitoral.

Um abraço
Dra Alessandra

domingo, 19 de agosto de 2012

CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO

Essa semana participei do Congresso Brasileiro de Medicina Fisica e Reabilitação. É a primeira vez que venho a esta evento e o tamanho impressiona. 

Realizado no Centro de Convenções do Anhembi junto com a feira de reabilitação, a estrutura física é enorme.

Embora com algumas falhas, especialmente na parte de alimentação (no primeiro dia oficialmente passei fome), a organização é muito boa e o espaço muito bem pensado.

Impressionante como a deficiência vem cada vez mais tomando seu espaço e seu lugar nas discussões e nos investimentos na área da saúde.

Claro que quando falamos de saúde pública, essa realidade ainda está muito distante e pouco acessível, mas a área da reabilitação cresce exponencialmente, tanto em novos recursos quanto em aprimoramento dos antigos.

Muito se falou sobre o idoso, que mesmo quando não tem deficiência, tem mobilidade reduzida e uma fragilidade que se não diagnosticada e abordada reduz sua expectativa e qualidade de vida.

Um consenso nesta área é que qualidade de vida, integração, inclusão e principalmente funcionalidade são os reais objetivos de um bom programa de reabilitação. Olhar esse indivíduo como alguém que está se adaptando a uma nova realidade (como na maior parte dos casos), respeitar o tempo e o luto e apoiar essa pessoa durante todo o processo é a base de qualquer reabilitação bem feita.

Ouvi ainda, algumas palestras sobre internação para reabilitação e outras sobre a dificuldade de acharmos locais para os casos crônicos e a reabilitação de manutenção. Resumindo, o que é difícil, é difícil para todo mundo.

Finalizando, muito se falou de técnicas de reabilitação no presente e especialmente para o futuro, mas sempre pensando o individuo por trás da deficiência, os aspectos psiquicos e emocionais dessa pessoa e de sua familia. Só assim reabilitamos globalmente. Trazendo essa pessoa, toda sua potencialidade e sua pluraridade de volta à vida e não só reabilitando a marcha ou o controle de tronco.

No proximo post falaremos sobre as novidades propriamente ditas.
Um abraço
Dra Alessandra

domingo, 12 de agosto de 2012

PEQUENAS FELICIDADES

Eu sou uma pessoa feliz. Mesmo! Parte disso vem da minha personalidade. Sou mais alegre que melancólica. Mas boa parte disso é uma escolha. Eu escolho a alegria. No copo pela metade, acredito que ele está meio cheio e não meio vazio.

Mesmo nos momentos de problemas mais graves, tento não manter o foco no negativo e aproveitar todo e qualquer momento de alegria.
É claro que o meu trabalho, onde escuto histórias muito tristes, me ajuda a contextualizar minha vida. Recebo,todos os dias, lições de vida, pessoas que passam por situações extremas e tiram um força, uma retidão que admiro. E observo. E aprendo. 

Comparar nunca é uma boa proposta. Sempre há alguém com mais ou menos. Mas o que vale é olhar o hoje e aproveitar. Aprender que há sempre mais e menos, mas o que eu tenho é meu, o que eu sou é bom. Pode melhorar? Sempre, mas o presente me faz feliz, me basta.

Ouço muito a frase: " Eu era feliz e não sabia" e penso que talvez essa pessoa ainda seja feliz e continue não sabendo, não reconhecendo.
Mas a maior conquista neste processo que é viver, foi aprender a aproveitar as pequenas felicidades.


Pensar nas pequenas felicidades é essencial. Minhas orquídeas que se abrem, um pôr do sol na minha varanda, um chá e bom papo com os amigos, um vinho com a pessoa amada. Minha família, meus bichos. O amor incondicional e eterno, maior que eu, que sinto pela minha filha. Coisas simples, corriqueiras, mas que agradeço e reconheço como pura e absoluta felicidade.

E isso é possível, acessível a todos nós. Basta querer, manter a mente alerta e o coração aberto. 

Mais do que seja feliz, se aprorpie, reconheça e aproveite sua felicidade. E expanda isso, compartilhe, divida, some. Assim faremos um mundo melhor e seremos pessoas melhores. Eu estou no caminho! Pelo menos tentando.

Boa semana. Abraço.
Dra Alessandra

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Filho de peixe não nasce jacaré!

Essa frase é uma adaptação que faço frequentemente do ditado “filho de peixe, peixinho é” e que repito várias vezes durante meu trabalho.

E o principal objetivo desta frase não é lembrar aos pais a herança genética de seus filhos, mas principalmente os comportamentos aprendidos no ambiente domiciliar. Criança aprende observando. Não adianta mandar seu filho beber suco de laranja, enquanto você só bebe refrigerante.

Assim vale também para a escola. Uma queixa extremamente frequente é a que a criança não quer estudar. Vamos combinar, quantos de nós aos 7 ou 8 anos de idade queriam estudar? Quantos espontaneamente pegamos um livro para ler? Poucos, eu garanto. Até porque nesta idade, não há maturidade para entender os reais benefícios do estudo.

Mas esses também são comportamentos aprendidos. Estudos apontam que a escolaridade materna é fator importante no sucesso escolar das crianças. Se você lê, se informa, estuda, está indiretamente ensinando seu filho a fazer o mesmo.

Ajudar a tarefa de casa, checar cadernos, agendas, coisas que parecem óbvias, mas ás vezes eu pergunto à mãe o ano em que o filho está na escola e ela não sabe. E ainda espera que a criança tenha um bom desempenho escolar!

Ter em mente a responsabilidade que é criar um filho é necessário e imprescindível. Amar, educar, dar suporte e bons exemplos de respeito e cidadania criará não só uma geração de adultos mais envolvidos e éticos, como também um mundo melhor de se viver.

Um abraço

Dra. Alessandra


Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....