sábado, 20 de março de 2010

DIA MUNDIAL DA SÍNDROME DE DOWN

Esta ocorrência genética deve o seu nome ao médico inglês John Langdon Haydon Down, que a descreveu. Ocorre em cerca de 1 para cada 660 crianças nascidas, sendo assim a forma mais freqüente de deficiêcia intelectual causada por uma alteração cromossômica.

É causada pela ocorrência de três (trissomia) cromossomos na posição 21, na sua totalidade ou de uma porção fundamental dele, sendo por isso também conhecida como trissomia do 21. Não pode ser detectada pelo teste do pezinho e nem em exames pré-natais de rotina.

Em um primeiro momento, o nascimento de uma criança com Síndrome de Down pode trazer um misto de surpresa, decepção, tristeza, desesperança... O bebê chegou diferente do esperado, deixando em seus pais dúvidas sobre seu presente e seu futuro. Entretanto, o desenvolvimento de indivíduos com Síndrome de Down é influenciado pela qualidade do cuidado, educação e experiência que lhes são oferecidos, como qualquer outra pessoa.

Não é possível prever o desenvolvimento futuro de um bebê com síndrome de Down somente a partir de seu diagnóstico.

Algumas crianças tem alguns problemas adicionais de saúde. Por conta disso, após a realização do cariótipo (exame que confirma o diagnostico), as crianças com síndrome de Down necessitam realizar outros exames periodicamente ou a critério médico, especialmente cardíacos.

Todos os indivíduos com síndrome de Down mostram algum grau de deficiência de aprendizagem. Algumas crianças progridem dentro da faixa de baixo rendimento de crianças sem deficiência de escolas comuns, outras são mais lentas, com dificuldades que vão de moderadas a graves, e uma minoria tem dificuldades adicionais múltiplas que levam a progresso mais lento ainda.

Cada criança com síndrome de Down precisa ser considerada como um indivíduo único e suas necessidades determinadas como uma pessoa, levando-se em consideração as possíveis consequencias da síndrome no desenvolvimento, mas não deduzindo-se que a síndrome sozinha determinará o futuro.

As crianças com Síndrome de Down tem direito a uma educação adequada, na rede regular de ensino e mais ainda tem o direito de receberem um investimento familiar e da sociedade, pois são capazes de se tornarem adultos produtivos e independentes.

Dia 21 de março comemoramos o dia mundial da Síndrome de Down e mais do que nunca devemos pensar numa sociedade mais justa, menos preconceituosa e mais inclusiva.
Visite o blog
www.institutosouespecial.blogspot.com e veja como tem muita gente boa trabalhando por um mundo melhor para todos.

Um abraço
Dra Alessandra

terça-feira, 16 de março de 2010

O BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

A criança para seu pleno desenvolvimento neuro-psico-motor, necessita de cuidados, boa alimentação e sobretudo amor. Semana passada abordamos o desenvolvimento infantil e essa semana falaremos de um recurso fantástico para estimulação da criança que é o brincar. Nada é mais estimulante para o desenvolvimento das potencialidades de uma criança do que o brincar.

O brincar oferece possibilidades de sermos mais naturais, principalmente, na infância, onde construímos a nossa base psiquica, suporte para toda uma vida.
Segundo Piaget, a criança no período compreendido entre 0 e 2 anos apresenta uma evolução significativa no desenvolvimento físico, cognitivo e principalmente social, onde recebe grande influência do ambiente.

O brincar é essencial às crianças e nos revela de diversas formas que tem poder terapêutico natural, além de constituir auxílio na boa formação infantil.
O brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; conduz aos relacionamentos grupais; é a forma mais completa de se estimular e demonstrar amor a uma criança.
É no brincar, que o indivíduo, criança e adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade de forma integral.

O desenvolvimento infantil se encontra particularmente vinculado ao brincar, uma vez que este se apresenta como a linguagem própria da criança, através da qual lhe será possível o acesso à cultura e sua assimilação. É fundamental tanto ao desenvolvimento cognitivo e motor da criança quanto à sua socialização, sendo um importante instrumento de intervenção em saúde durante a infância.

Durante o primeiro ano de vida, o objeto de maior atenção da criança, é o corpo e suas brincadeiras com ele, a descoberta de partes deste corpo, seu calor, equilíbrio e segurança. Somente com o tempo é que a criança utiliza-se de regras em seus jogos, onde começa a denominar objetos e suas funções. Para as crianças nesta fase, os brinquedos servem de estímulos visuais (percebe cores, movimentos e formas), gustativos (leva os objetos à boca reconhecendo-os), táteis (percebe materiais e texturas). Com estes estímulos ela aprimora sua coordenação motora ampla e fina, onde irá segurar, balançar, jogar. Com a exploração dos brinquedos, ela aprende sobre as qualidades dos objetos um em relação ao outro, sendo capaz de fazer escolhas e desenvolver habilidades intelectuais, emocionais e de comunicação.

A partir dos dois anos, jogos simples, encaixes, bonecas e carrinhos passam a fazer parte do arsenal de brinquedos para as crianças. Só entre 3 e 4 anos, elas começam a entender as brincadeiras em grupo e suas regras. Quebra-cabeça, bola, corda, são estimulos interessantes nesta faixa etária.

A aprendizagem do mundo, para a criança torna-se possível através do que ela ouve, vê, toca e prova, dependendo de alguém que interaja com ela, fornecendo ajuda quando necessário.

Através dos marcos do desenvolvimento normal da criança iremos observar o quanto a criança irá adquirindo movimentos e posturas que facilitaram a exploração dos objetos (brinquedos), que lhes são oferecidos. Para que isso ocorra é fundamental a colaboração dos pais estimulando esta criança. Contato físico, visual, cantar para a criança, ter um tempo só para brincar e se dedicar a ela são aspectos fundamentais para a saúde física e mental da criança.

Deverá ser levado em consideração que o brincar não é algo a ser imposto e sim proporcionado, de forma que no dia-a-dia esta criança tenha tempo para o prazer de brincar, não ocupando seu dia com afazeres e obrigações sem sentido para ela.

E mais ainda, o brincar pode ser utilizado como um recurso terapêutico para a reabilitação de crianças com necessidades especiais!! Não perca na próxima semana: o brincar como recurso terapêutico.

Um abraço e boa semana!!
Dra Alessandra

terça-feira, 9 de março de 2010

O Desenvolvimento da Criança: Principais marcos e passos para estimulação

Um a três meses: nesta fase o bebê começa a:
Fixar o olhar e acompanhar objetos: coloque brinquedos grandes e com cores fortes para que possa olhar.
Sustentar a cabeça: coloque o bebê de bruços para ele levantar a cabeça
Converse bastante com ele, cante canções tranqüilas, tenha contato físico com o bebê.
No terceiro para o quarto mês ele já agarra chocalho e ri para suas brincadeiras.

Cinco a seis meses: ele agora vai se preparar para sentar:

Coloque o bebê sentado com apoio (almofadas bebê conforto, carrinho).
Deixe de bruços com brinquedos na frente para ele segurar o tronco com os braços.
Ajude-o a rolar (passar de bruços para costas).
Compre brinquedos que a criança possa levar á boca.
Brinque de esconder com ele e ensine-o a segurar a mamadeira.

Oito a nove meses:

Já imita sons de palavras. Fale palavras simples como "da", "pa”.
Fica de pé se segurando. Brinque com ele de pé. Deixe-o livre no chão forrado para que se movimente sozinho.

Nove a dez meses:

Anda segurando nos móveis; Pode ou não começar a engatinhar; Começa a indicar o que quer; Reconhece familiares.

Onze meses a um ano e três meses:

Começa a andar sem apoio. Pode cair algumas vezes e até parar de andar por conta disso. Não se assuste e não o assuste com os tombos, sempre o estimulando a recomeçar.
Brinque de jogar bola com ele.
Ensine-o a beber no copinho.

É importante salientar que esses são marcos gorsseiros do desenvolvimento. O fato de uma criança demorar um pouco mais para obter uma ou outra aquisição não deve causar pânico.

O seguimento realizado pelo pediatra (puericultura) mensalmente é capaz de diagnosticar atrasos fisiológicos ou atrasos reais no desenvolvimento que devem ser encaminhados ao neuropediatra.

terça-feira, 2 de março de 2010

ESTIMULAÇÃO NA INFANCIA: A IMPORTÂNCIA DO ESTÍMULO PRECOCE PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento pleno das potencialidades de todas as crianças. Especialmente no primeiro ano de vida, o cérebro passa por inúmeros processos de amadurecimento que repercutirão por toda a vida.
Sabe-se que o cérebro infantil, apresenta algumas peculiaridades em relação ao do adulto, dentre elas sua maior capacidade de regeneração e uma maior capacidade de adaptação. É como se o sistema nervoso infantil fosse uma pedra bruta que aceita qualquer tipo de lapidação. Quanto mais delicada for essa lapidação, melhor o desenvolvimento de suas capacidades. A esse processo de regeneração e desenvolvimento cerebral, dá-se o nome de plasticidade neuronal.
A plasticidade neuronal fundamenta e justifica a estimulação plena das crianças precocemente, visto que nessa idade a resposta é maior que nos outros períodos da vida.
O contato de um bebê com sua família é o primeiro passo a estimulação de seu desenvolvimento. Brinquedos adequados para a idade são muito importantes, mas nada substitui o contato físico da criança com seus pais.
Desde antes do nascimento o bebê reconhece a voz de sua mãe. Por isso, cantar canções de ninar e de acalento acalmam e dão sensação de segurança à criança.
O ato de amamentar, ou para aquelas mães que necessitaram recorrer ao aleitamento artificial, o ato de alimentar seu filho, olhando-o nos olhos, conversando em voz baixa com ele é uma excelente estímulo.
O acompanhamento médico especializado com o pediatra (puericultura) é outro fator fundamental para o cuidado com o bebê. O pediatra acompanhará o desenvolvimento físoco e neurológico da criança referindo-o ao sub-especialista quando necessário.
Crianças prematuras ou que apresentaram sofrimento ao nascimento merecem cuidados redobrados no seu acompanhamento, por vezes necessitando do seguimento neuropediátrico (neuropuericultura) e de outros profissionais da saúde como fisioterapeuta, terapeuta ocupacional (TO) e fonoaudiólogo.
É importante também que a família reconheça os tempos do desenvolvimento neurológico e que perceba que não há rigidez nos marcos. Por exemplo, bebês sentam por volta de 6 meses, porém até 8-9 meses na ausência de outros transtornos neurológicos, é ainda considerado dentro da faixa da normalidade.
Acho que a estimulação precoce é a melhor forma de medicina preventiva em neurologia. Dar a criança a oportunidade de desenvolvimento pleno de suas capacidades é fundamental para um crescimento saudável.
No centro de reabilitação que trabalho em Cotia, temos o Grupo de Intervenção Precoce, que trabalha com bebês ditos de risco (prematuros com peso ao nascimento menor que 1.500g, asfíxicos e bebês com meningite ou convulsão neonatal), onde acompanhamos o desenvolvimento destes atendidos em equipe multiprofissional (Neuro, fisio, fono, TO e psicologia) e iniciamos abordagem terapêutica caso seja observado qualquer atraso.
Na próxima semana, falaremos sobre os marcos do desenvolvimento neurológico e o trabalho de estimulação precoce desenvolvido na APAE – Cotia.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CMDDPcD: O que é isso?

Com um nome deste tamanho, que a gente leva o primeiro mês decorando, o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Cotia entrou na minha vida há pouco mais de 1 ano e foi amor à primeira vista.

Composto por pessoas do poder público, entidades que trabalham com pessoas com deficiência e os próprios deficientes, todos voluntários, o conselho é um exercício maravilhoso de cidadania.

Pensar no outro, nas necessidades do outro, nas diferenças sem preconceito e com respeito me faz crescer como profissional e principalmente como ser humano.
Eu nunca estacionei em vaga de deficiênte ou de idoso, tento ser uma pessoa ética e correta politicamente. Mas estar no conselho me fez pensar nisso mais amplamente. Eu não faço, mas tenho responsabilidade em orientar quem faz, em mostrar o quanto pequenas atitudes educadas impactam na vida daqueles que tem alguma restrição.

Tem sido um grande aprendizado.

Se vocês quizerem conhecer mais sobre este trabalho acessem www.cmddpcd.com.br

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ACUPUNTURA: UMA NOVA E RICA EXPERIÊNCIA

Na definição da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a saúde é um estado de harmonia entre as funções orgânicas internas e entre o ser humano e o meio ambiente onde vive. Na natureza, os fenômenos podem ser divididos, de uma forma simplista, em dualidades opostas, denominadas de yin-yang, que apresentam um estado de equilíbrio dinâmico. Essa compreensão foi estendida ao entendimento do funcionamento dos organismos vivos.

Diferente né?? Pois é, quando iniciei minha formação em MTC, foi um choque cultural. Minha formação ocidental é muito forte e alguns paradigmas tiveram que ser quebrados para que eu pudesse entender realmente o assunto.

Mas não se pode deixar de lado, que essa é uma técnica milenar, realizada com muita seriedade e com resultados comprovados até pela medicina ocidental.

Hoje entendo a MTC como um recurso terapêutico completo. Percebo os detalhes diagnósticos e entendo o tratamento com a acupuntura como um equilibrador do organismo.

Nas crianças, a fitoacupuntura (que é meu maior foco de estudo) vem se mostrando extremamente factível, com bons resultados na minha experiência e sem a necessidade da agulha, que ainda assusta muito as pessoas no Brasil.

Indicada no tratamento da dor (aguda ou crônica), para obesidade, ansiedade, entre outros, a acupuntura é hoje parte importante do meu arsenal terapêutico.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um trabalho especial

Atualmente, um ponto importante do meu trabalho, é a pessoa com deficiência. Vejam vocês, que trabalho na APAE, AACD e no Centro de Reabilitação da prefeitura de Cotia, entre outros. Ou seja, o atendimento à criança com deficiência é parte importante da minha vida.

Aliando os conhecimentos de neurologia com o aprendizado proporcionado pelo trabalho multi ou interdisciplinar que desenvolvo nestas instituições, temos conseguido bons resultados na integração global destes indivíduos.

Os problemas na aprendizagem, as dificuldades na inclusão social são fatores que motivam este trabalho.

Aliás, a questão educacional atualmente é parte integrante do trabalho do neuropediatra. É uma das queixas mais comum na clínica pública e privada. Escolas com padrões rígidos de avaliação, com pouca tolerância às diferenças e crianças super estimuladas que não se contentam mais com a educação lenta do nosso sistema escolar são os principais fatores causais desta “epidemia” de transtornos do aprendizado, na minha opinião.

Acredito na abordagem medicamentosa, porém não podemos esquecer que a participação familiar e escolar são pontos importantes no processo do aprender.

Proporcionar à criança, especial ou não, um ambiente acolhedor e estimulador, ajudar nas tarefas, participar com alegria do cotidiano, brincar com seu filho, são ações simples que tem um grande impacto na estimulação cognitiva e emocional.

Não podemos esquecer também de dar às nossas crianças o tempo do BRINCAR. Criança precisa brincar, livremente, alegremente,ter um tempo sem compromissos formais, ter um tempo para ser criança.

Enfim, hoje vejo a neuropediatria como um meio de orientar pais, familiares e educadores e um oportunidade de aprender com as experiências destes, para um bem comum, que é a exploração do potencial de cada criança, respeitando seus limites, porém dando a chance, que desenvolva plenamente suas potencialidades.

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....