domingo, 18 de setembro de 2011

Vamos fazer arte?

Hoje vamos falar de um recurso terapêutico pouco conhecido, porém muito interessante e no qual diversão e reabilitação caminham juntas: a arteterapia!
Arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em contextos terapêuticos. Esta é uma definição ampla, pois pressupõe que o processo do fazer artístico tem o potencial terapêutico, pois o paciente constrói uma relação que facilita a ampliação da consciência e do auto-conhecimento, possibilitando mudanças.
A arteterapia é um caminho através do qual cada indivíduo pode encontrar possibilidades de expressão para, através de técnicas e materiais artísticos, processar, elaborar e redimensionar suas dificuldades na vida.
(Trechos extraídos de Ciornai, S. "Percursos em Arteterapia", 2004)

A arte é um importante meio de expressão e comunicação. Nela a criança tem oportunidade de desenvolver aspectos físicos, cognitivos, emocionais, a percepção, a imaginação, coordenação viso-motora, a capacidade crítica, a auto estima e ainda ser enriquecedor e prazeroso.
O trabalho de arte-reabilitação tem como principal característica a construção da interface que se estabelece entre o universo da ciência e da arte.
A arteterapia utiliza recursos artísticos com finalidade terapêutica. É indicada para crianças de todas as idades, com diferentes diagnósticos, tais como: paralisia cerebral, deficiência mental e autismo, entre outros.
É explorando o universo da arte, de todas as possibilidades de fazer do processo artístico, que podemos desenvolver a cognição. O contato com diferentes materiais possibilitam novos jeitos de lidar com a deficiência, deixando novas energias fluírem para uma melhor qualidade de vida.
As dificuldades oriundas da deficiência não impedem de trabalhar gradativamente a criatividade de cada paciente através do pintar, desenhar, colar, construir, esculpir, dramatizar, cortar, rasgar, inventar, num contínuo e eterno ciclo.
A utilização de recursos artísticos (pincéis, cores, papéis, argila, cola, figuras, desenhos, recortes) tem como finalidade a mais pura expressão do verdadeiro eu da criança, não se preocupando com a estética, e sim com o conteúdo pessoal implícito em cada criação e explícito como resultado final.
Realizar arteterapia como um aspecto da reabilitação é importante, mas se essa terapia não é disponível onde a criança faz tratamento, brincar em casa com essas possibilidades, estimulando a criatividade com brincadeiras usando massinhas, tintas, desenhos ou outros recursos, além de terapêutico é um momento único de cultivar e aumentar o vínculo com a criança. Aproveitem!!
Um abraço
Dra Alessandra

sábado, 10 de setembro de 2011

A criança preguiçosa


É muito, mas muito frequente no meu dia a dia a queixa de que a criança é preguiçosa. Confesso a vocês que essa é uma frase que me irrita um pouco, especialmente quando a criança em questão tem alguma deficiência.

Eu não sei o que é ter que fazer uma força dobrada ou triplicada para mexer um membro que se recusa a ter qualquer movimento, não sei o que é ter que me movimentar com rodas ao invés de pernas, talvez por isso, eu tenha um respeito e uma admiração por crianças (ou adultos) que dentro de suas limitações, ultrapassam barreiras e façam esses movimentos de forma tão natural que chega a parecer fácil.

Parece, mas não é!

Uma criança com um lado do corpo parético, ou seja, com menos força muscular que o outro, tem dificuldades maiores que o movimento ou a força reduzida. Há alteração de equilíbrio, de balanço do corpo na marcha, de coordenação para a escrita. Enfim, nosso sistema nervoso é uma rede imbricada e complicada de neurônios onde uma alteração dita pequena pode causar dificuldades em várias funções.

Digo isso porque especialmente na infância onde tudo é novidade, onde todos os estímulos são instigantes, a preguiça raramente é uma realidade. Acredito em crianças mal estimuladas, mal recompensadas pelos seus esforços, pouco motivadas, mas não preguiçosas.

Colocar na criança a culpa por determinadas situações é não só injusto, mas cruel.

Estimular adequadamente nossos filhos, recompensá-los com elogios, abraços e carinhos. Viver o mundo deles, valorizando seus problemas e respeitando seus limites é o passo inicial para não termos crianças “preguiçosas”.

A medicina tradicional chinesa tem uma orientação muito interessante que ensina que crianças sem limites são crianças doentes. Portanto dizer não quando necessário com o mesmo amor que se diz um sim, ensinar coisas simples como respeito ao próximo e aos mais velhos é também um ato que previne doenças.

Assim, embora tente fortemente não tirar conclusões precipitadas, quando escuto uma mãe chamar o filho de preguiçoso, a primeira pergunta que passa pela minha cabeça é: quem é o preguiçoso? Criar um filho é uma opção para a vida toda que dá muito, MUITO, trabalho. Trabalho esse que só é comparável à alegria e a plenitude do amor incondicional por um filho.

Vamos refletir sobre isso?

Boa semana
Um abraço
Dra Alessandra

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FORUM DE NEUROCIÊNCIAS


Olha eu aqui, pontualmente, como era minha proposta inicial... rs.

O dia hoje foi lindo, ensolarado, o mar morno convidava ao ócio e ao relaxamento, mas firmemente fui animada para aula. E não me arrependi. As palestras foram muito boas.

Começamos o dia com o professor Jaderson Costa da Costa da PUC-RS nos brindando com os estudos com células-tronco. Muitos estudos e pesquisas em andamento, para nós neurologistas especialmente em epilepsia. Os estudos ainda são incipientes e sua utilização clínica ainda deve demorar alguns anos,porém são animadores.

A conclusão da aula foi que "o que acontece na China, fica na China"... rs, ou seja, o uso indiscriminado desse recuso sem base clínica e científica não é ético e nem resolutivo.

Seguimos com os convidados internacionais - o alemão Tobias Banascewski e a inglesa Katya Rubia - que nos brindaram com os avanços na neurobiologia e neuroimagem no TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a boa notícia é que provavelmente em alguns anos teremos exames de imagem ajudando no diagnóstico e no tratamento deste transtorno.

À tarde, discutimos um caso clínico de TDAH com os palestrantes Paulo Knapp, Luis Rohde e os convidados internacionais.

E finalizamos com a brilhante palestra do Dr Diogo Lara, também do RS, com o enfoque em traços de personalidade como preditor de afecções psiquiátricas e melhor ainda, como um tratamento ou um manejo prévio para a prevenção de transtornos psiquiátricos.

A dica é o site www.temperamento.com.br

Chega lá, faça o teste e receba um perfil de sua personalidade e dicas de como lidar com ela.

Amanhã, mais um dia pleno de sol, mar e estudos!!


Bom final de semana

Dra Alessandra

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

TEMPOS CORRIDOS


Tento, verdadeiramente, ser organizada!! Ter um rotina mínima, não deixar as coisas passarem numa velocidade maior que minha capacidade de observá-las. Todos aqueles conselhos que compartilho com vocês neste espaço eu realmente tento colocar em prática.

Entretanto, às vezes isso não funciona como eu gostaria. Minha proposta pessoal é postar pelo menos uma vez na semana,mas nesses últmos meses, não tenho conseguido. Estive em férias e a volta é cruel. Como se todo o trabalho ficasse paradinho me esperando voltar. Em parte isso é real, já que sou a única neuro na maioria dos locais onde trabalho.

Mas aprendi que sem pressa e sem me culpar por esse momentos, eu volto a me organizar, porque o mais importante nesse processo é não perder o foco e as minhas prioridades. E relaxar quando as coisas não saem exatamente como eu quero.

Difícil?? MUITO! Um exercício de tolerância e humildade, onde às vezes me saio bem, em outras nem tanto!!

Semana passada estive em Manau para dar aula e aproveitei para conhecer aquela cidade linda e quente e aquela natureza exuberante, que me renovou.

Hoje estou num lugar lindo, com uma natureza paradisíaca, pronta para dois dias intenso de aulas e atualização em TDAH. Animada com sempre e com a proposta pessoal de compartilhar com vocês todas as novidades!

Vamos torcer para funcionar!! E ter paciência, caso não aconteça!!

Essa é minha proposta: vamos aproveitar o dia de hoje, estabelecer metas básicas e dar o espaço necessário ao improviso. Eu estou tentando!!!


Bom final de semana

Um abraço

Dra Alessandra

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Qualidade de Vida: um aspecto importante a ser observado na infância

Qualidade de vida (QV) é um conceito ligado ao desenvolvimento humano. É a percepção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais se insere e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

É um amplo conceito de classificação, afetado de modo complexo pela saúde física do indivíduo, estado psicológico, relações sociais, nível de independência e pelas suas relações com as características mais relevantes do seu meio ambiente.

Não significa apenas que o indivíduo ou o grupo social tenham saúde física e mental, mas que esteja(m) de bem consigo mesmo, com a vida, com as pessoas queridas, enfim, é estar em EQUILIBRIO.

Também para garantir uma boa qualidade de vida, há que se ter hábitos saudáveis, cuidar bem do corpo, ter tempo para diversão e vários outros hábitos que façam o indivíduo se sentir bem, que tragam boas conseqüências, como usar o humor pra lidar com situações de stress, definir objetivos de vida e, o principal, sentir que tem controle sobre a própria vida.

Entretanto, o fator mais impactante na avaliação da QV de um indivíduo é a sua percepção subjetiva de bem estar, ou seja, a pessoa tem que se sentir bem e em equilíbrio.

Assim um bom emprego, uma vida familiar estável e bens materiais são parte importante desse contexto. Vale à pena salientar que diversão e descanso tem papel igual ou maior nesta avaliação.

A prática regular de esportes, uma alimentação balanceada, um tempo pessoal próprio livre de compromissos são ingredientes essenciais para uma boa QV.

Considera-se um modelo de avaliação de QV aquele que engloba quatro esferas de vida: a esfera global (sociedade e macro-ambiente), a esfera externa (condições sócio-econômicas), a esfera interpessoal (estrutura e função do apoio social) e a esfera pessoal (condições físicas, mentais e espirituais).

Embora seja um conceito subjetivo e complexo, este deve ser pensado e aplicado desde a infância.

A criança deve satisfazer suas necessidades fisiológicas e de segurança, necessidades relacionadas com a afetividade, a auto-estima e a realização de objetivos.

A percepção infantil sobre qualidade de vida requer muitos fatores. As crianças são sujeitas a mudanças, sendo influenciadas por eventos cotidianos e problemas crônicos. Para as crianças bem estar pode significar o quanto seus desejos e esperanças estão próximos do que acontece.

Brincando, praticando esportes, dedicando-se a uma atividade gostosa e sem cobranças, a criança educa sua sensibilidade para apreciar seus esforços e tentativas, descobre o prazer de atingir objetivos, elevando sua auto-estima.

A participação da família é essencial para as descobertas da criança, para que ela se sinta segura e amada, respeitada em suas necessidades e para que descubra o mundo, amparada por quem ela mais confia.

Assim, ter um tempo para brincar com seus filhos, não submetê-los a uma agenda exaustiva, estar tranqüilo com a sua vida é um passo importante para ter uma vida de qualidade para você e seus filhos, e principalmente, pensar a respeito e não perder do foco a necessidade de caminhar em direção a essas conquistas.

Isso exige disciplina e boa vontade, mas é realmente possível.


Um abraço

Dra Alessandra

terça-feira, 12 de julho de 2011

FÉRIAS, MERECIDAS FÉRIAS

Nada como uns dias de descanso. Passei a última semana viajando em férias. Tempo para refrescar as idéias, conhecer outras realidades, enfim, recarregar a bateria.

E embora eu saiba que uma semana é pouco tempo, tirar um momento para mim, de todos os empregos, é uma novidade muito bem vinda no meu “projeto qualidade de vida”...

Mas confesso que desligar totalmente de tudo é muito difícil. A vida é tão corrida que quando paramos um pouco, fica tudo meio lento demais. Mas não desisti! Mantive-me firme no propósito de desacelerar e lá pelo terceiro dia, já estava adaptada a esse novo ritmo.

E assim descansada voltei ao trabalho e à correria diária com a certeza que ter um tempo para nós mesmos é fundamental no dia a dia, mas tirar um tempo maior e de preferência sair de casa para aproveitá-lo é de grande importância também para o trabalho.

Pensar na própria vida, rever e redefinir metas para o segundo semestre, fazer um balanço do semestre que passou, são atitudes que me organizam internamente e que fazem com que eu me mantenha firme nos meus propósitos.

E agora de volta à vida útil, vamos retomar os artigos no blog e as respostas às dúvidas que vocês compartilham comigo.

Um abraço e boa semana
Dra Alessandra

quinta-feira, 9 de junho de 2011

EPILEPSIA: Mitos e Verdades

Hoje vamos conversar sobre uma situação cercada de dúvidas e especialmente de preconceitos: a Epilepsia.

A epilepsia é uma condição clínica que afeta cerca de 1-2% da população, sendo que a faixa etária mais acometida é a infantil (abaixo dos dois anos) seguida dos idosos (acima de 65 anos). Há discreto predomínio masculino.

Apesar de freqüente, muito ainda se tem de preconceito em relação à doença. E a maior parte deste preconceito advém da falta de conhecimento sobre o assunto.

A epilepsia é uma condição que tem em comum a presença de crises epilépticas ou convulsivas recorrentes na ausência de condição tóxico-metabólica ou febril. A crise epiléptica é causada por descargas elétricas cerebrais anormais excessivas e transitórias das células nervosas. O sintoma da crise depende da área cerebral envolvida. A crise tem inicio súbito e cessa espontaneamente ou quando muito prolongada com uso de medicação. Alterações de humor, stress ou outras condições emocionais não são responsáveis pelo início das crises.

O pricipal sintoma da epilepsia é a crise epiléptica. Esta pode ser grosseiramente dividida em parcial – que se origina em áreas do cérebro restritas ou localizadas- ou generalizada – caracterizada por descargas neuronais síncronas provenientes de ambos os hemisférios. A crise generalizada chamada tônico-clônica é a mais freqüentemente reconhecida, pois é aquela onde o indivíduo, cai no chão, se `debate` (movimentos clônicos), às vezes `baba`(sialorréia) e pode ou não haver liberação de esfíncter (fazer xixi ou evacuar na calça). Embora essa seja a forma de crise mais reconhecida, ela não é a única e nem é mais ou menos grave. A gravidade da epilepsia geralmente está ligada à causa desta, ou seja, a doença de base, e não ao tipo de crise propriamente dita.

Quanto à causa da epilepsia, esta depende da idade do paciente e do tipo de crise. As causas adquiridas mais comuns são, em crianças, hipóxia ou asfixia neonatal (falta de oxigênio ao nascimento), traumatismo craniano, distúrbios metabólicos, mal formação cerebral e infecções (meningites, encefalites).

Em crianças maiores e adolescentes a epilepsia idiopática ou primária (familiar).
Na idade adulta temos as epilepsias idiopáticas, traumatismos cranianos, abuso de álcool e outras substâncias tóxicas, tumores cerebrais e AVCs. Doenças parasitárias como a neurocisticercose (proveniente da larva da solitária) são causas comuns em nosso meio.

O diagnóstico da doença é dado principalmente pelo quadro clínico. O primeiro passo é definir pela anamnese se o episódio é ou não de origem epiléptica. O diagnóstico da epilepsia é essencialmente CLÍNICO!

O exame complementar mais importante é o eletrencefalograma (EEG), porém este pode ser normal em 30-40% dos pacientes epilépticos num primeiro exame. O EEG deve ser realizado em sono e despertar, preferencialmente sob privação de sono e com registro mínimo de 20 minutos.

O vídeo-EEG é um exame usado para melhorar a caracterização das crises epilépticas, necessário somente em alguns casos.

Exames de neuroimagem (Tomografia ou Ressonância) são importantes para afastar crises sintomáticas com lesão cerebral. Outros exames dependem da avaliação médica especializada.

Quanto ao tratamento, o prognóstico é bom ou excelente na maioria dos casos, porém a evolução vai depender do tipo de epilepsia (síndrome epiléptica). Cerca de 50-70% dos casos evoluem para a cura após 2 a 4 anos de tratamento.

O tratamento pode ser medicamentoso (remédios anti-epilépticos) e cirúrgico (casos lesionais ou refratários).

Embora a maioria das crises ocorra ao acaso, de modo inesperado, em alguns tipos de síndromes epilépticas podem ocorrer fatores desencadeantes de crises, tais como luzes piscando, privação de sono, ingestão de drogas e álcool, situações estressantes graves, período menstrual, entre outros.

É importante salientar que no momento da crise, devemos somente proteger o paciente, virando-o de lado para que não se engasgue caso apresente sialorréia (baba excessiva). Não devemos tentar abrir a boca, puxar a língua ou enfiar qualquer material na boca da pessoa.

A epilepsia é uma doença crônica, não contagiosa e com boa resposta ao tratamento na grande maioria dos casos. O início desta situação é muito desconfortável para a família e principalmente para o paciente, ainda mais se este for criança, por isso é importante conhecer a respeito e saber que na maioria dos casos, a epilepsia tem um impacto muito pequeno na vida desta criança. Não vai prejudicar inteligência, rendimento escolar, personalidade ou comportamento. Um seguimento profissional especializado, disciplina e seriedade no tratamento e logo logo esse evento não passará de uma história para contar.



Um abraço

Dra Alessandra

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....