terça-feira, 31 de maio de 2011

O papel de pai e de mãe

Olá a todos! Quanto tempo né? É que ando realmente meio sem tempo...
Vou postar para vocês o texto do meu orientador Dr Francisco Assumpção Jr. que é psiquiatra infantil e tem o site psiquiatriainfantil.com.br
Vale a pena dar uma passada lá!!!

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PAPEL DE PAI E MÃE

Francisco Baptista Assumpção Jr*

i) NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A CRIANÇA

Você já parou para se perguntar sobre o quanto é difícil ser pai e mãe e, em consequência, cuidar de alguém totalmente dependente de você? Não? Então vejamos:

LEMBRE-SE: A criança é um indivíduo em uma fase mais primitiva de desenvolvimento que as pessoas adultas e por isso, tem que ser vista a partir de sua ótica e não da ótica do adulto, que é o responsável. Isso porque se é viável para o adulto descer até ela, é impossível para ela pensar como alguém adulto.

Assim, se ele tem maiores dificuldades em compreender, você não deve deixar de conviver ou de brincar com seu filho achando que ele não entende. Pelo contrário, favoreça esse contato.

Você pensa que seu filho não perceberá sua participação, porém ele se beneficiará, não só socialmente, mas também pelos estímulos que ele receberá e pelos papéis sociais que ele aprenderá com e a partir de você.

E aí vem a pergunta: todas as crianças são iguais? Claro que não! Em primeiro lugar porque são pessoas diferentes e como tal devem ser tratadas e em segundo lugar porque seu grau de compreensão também é diferente conforme sua idade.

Você já deve ter escutado mil coisas sobre a criança, a maior parte delas bobagens, fruto do conhecimento vulgar, divulgadas como se fossem verdades absolutas.

Não se preocupe muito com isso pois essas coisas costumam ter um valor muito relativo e só interessam como curiosidade pois ter filhos não significa saber cuidar deles.

Mas, A criança deve ser vista dentro de seu ambiente e, em consequência, apresentar demandas diferentes que requerem atitudes e cuidados muito diferentes.

LEMBRE-SE BEM: Essas considerações são sempre gerais, não são estáticas e imutáveis e,por isso, você não deve desanimar no que se refere ao cuidado com a criança e, muito menos, achar que você sabe tudo uma vez que seus pais, e antes deles seus avós, já cuidavam dos filhos. Essas considerações são sempre gerais, não são estáticas e imutáveis e,por isso, você não deve desanimar no que se refere ao cuidado com a criança e, muito menos, achar que você sabe tudo uma vez que seus pais, e antes deles seus avós, já cuidavam dos filhos.

Ser pai e ser mãe leva, obrigatoriamente, à reflexão constante sobre o que se faz, como como se faz e para quem se faz uma vez que, as crianças, como já dissemos, são totalmente difere diferentes umas das oudas outras...

Outra pergunta muito comum quando se refere a algum problema que a criança apresenta é: de quem é a culpa pelo que está acontecendo? Saiba que, na maior parte das vezes, ninguém tem culpa, e quando existe uma responsabilidade sobre o fato, essa é familiar uma vez que existem muitos fatores que interferem no comportamento infantil.

Assim, existem condutas suas que se refletirão nas atitudes da criança e que se reverterão contra ela própria e contra a família.

Isso porque existem fatores que ocorrem durante a própria vida da criança como perdas, problemas educacionais e outros que se refletem em suas condutas. Por isso, como cuidar dela?

Uma criança é um organismo em desenvolvimento, e por isso, pode ser facilmente afetado. Assim, merece muitos cuidados.

Quando você não souber o que fazer procure informar-se com quem sabe. Um médico pediatra pode ser o profissional mais fácil de ser procurado. Quando for possível, um psicólogo ou um psiquiatra de crianças também são excelentes alternativas.

Veja, não é tão difícil pois "uma criança" precisa de coisas que todas as crianças precisam: afeto, carinho, atenção...


ii) A FAMÍLIA E A CRIANÇA

A família é uma organização única, célula básica da sociedade; é também uma unidade de troca, onde os valores são amor, proteção, segurança, bens materiais e informação.

Toda criança é produto de muitos fatores recíprocos. O sucesso da criança vai depender do ajustamento dos pais e de suas habilidades para prover os filhos e suas próprias necessidades pessoais.

A compreensão do potêncial de qualquer criança é função dos pais ao acompanharem seu crescimento e desenvolvimento. Cabe também aos pais a exploração das aptidões inatas e depende da força constante e do apoio que a criança recebe seu bom aproveitamento. Para conduzir bem esse trabalho os pais devem reduzir ao mínimo os conflitos emocionais pois os ajudará a aumentar a reciprocidade entre eles e a criança. Os pais de crianças com alguma dificuldade às vezes precisam de ajuda para evitar seus conflitos, ansiedades e frustrações.

LEMBRE-SE: O bom ambiente familiar é fator importante no desenvolvimento sadio das crianças.

A criança precisa ser socializada para não ficar em desvantagem com as outras pessoas; nesse processo de socialização ela deve ser olhada como um indivíduo único. Todas as suas necessidade biológicas e psicossociais estão interligadas e sofrem transformações à medida que criança cresce.

Sem ajuda e apoio dos pais a socialização será muito mais difícil. Para ela, o estímulo, a motivação e o afeto dos pais é imprescindível para uma boa orientação. A criança precisa formar um bom conceito de si mesmo, sentindo-se aceito.

O aprendizado do comportamento social adequado começa no lar, com a família, sendo os pais os responsáveis pela educação informal. Os estímulos dados e as respostas emitidas devem estar unidos para que o comportamento possa ser fortalecido ou enfraquecido.

LEMBRE-SE: Confie no seu filho que ele responderá adequadamente. Todas as pessoas respondem bem a confiança depositada nelas.

A criança precisa ser disciplinada e essa necessidade é decisiva. Esse princípio de disciplina precisa vir dos pais. Não é bom criar o seu filho com indulgência pois este fator o diferenciaria dos outros filhos. Para estimula-lo no seu desenvolvimento, como pessoa independente e auto-suficiente, precisamos dar-lhe condições para ser responsável. Como pais, temos que preparar a criança para a sociedade competitiva.

Os pais devem ensinar desde cedo a seus filhos o princípio da autoridade. Esse aprendizado facilita a interrelação das pessoas, pois quando há respeito há bom relacionamento.

LEMBRE-SE: Você é responsável pelo bom ajustamento de seu filho na sociedade ampla.

A família não deve esquecer-se que, dependendo de sua maneira de tratálas, as crianças são levadas a se desvalorizarem. Depende dos pais passar a seus filhos um bom conceito de si. Um saudável conceito de si mesmo aparecerá com certeza se a criança tiver seu desenvolvimento encaminhado corretamente, isto é, da dependência para uma independência cada vêz maior. Mesmo que a criança tenha problemas, suas dificuldades serão abrandadas se for adquirindo um autoconceito favorável.

LEMBRE-SE: Ajudar a criança a desenvolver uma auto-imagem favorável é decisivo para sua vida. Colabore.

As crianças precisam ter autoconfiança e o passo inicial para isso é a sua aceitação, da maneira como ela é, acreditando no seu valor e na sua possibilidade de progredir. Se ela se aceitar estará facilitando a sua adaptação social. Cabe à família ajudar as crianças a reconhecerem seu valor, fazendo-as compreender que são desejadas e amadas. Para os pais passarem isso precisam ter claro para si, buscando aceitação do filho como ele é, lidando com as suas limitações e ajudando-os a conseguir o que podem fazer. O respeito é fundamental nas relações assim como a preocupação com os sentimentos; a avaliação criteriosa das possibilidades levará essas crianças a terem mais segurança no mundo. É função da família mostrar à criança um mundo seguro.


iii) O BRINCAR INFANTIL

Durante o primeiro ano de vida , a criança brinca basicamente com seu próprio corpo a partir da necessidade de reconhecê-lo e diferenciá-lo das outras pessoas. Assim, surgem jogos repetitivos com as mãos e pés, bem como atividades ritualísíicas de balanceies de corpo e cabeça.

Ao final do segundo ano, entretanto, ela passa a fazer aquilo que chamamos de jogos de imitação onde experimenta atividades que irá desenvolver mais tarde, "copiando" atos do cotidiano. Assim, é muito frequente que, ao chegarmos em casa, encontremos o filho deitado, de olhos fechados e que, ao ser questionado, responda que "está fingindo que está dormindo".

Até este momento, a utilização de material lúdico é sempre com características sensoriais e, praticamente, sem significado.

Com o advento da função simbólica, a partir da qual a criança é capaz de representar através de um símbolo, um fato, um objeto ou uma pessoa, ela passa a ter aquilo que chamamos de jogo simbólico onde além de reproduzir, também "corrige" atitudes e atividades do cotidiano. Dessa maneira, quando uma menina de 3-4 anos de idade, diz à sua boneca para ir dormir senão apanha e, após uma pausa, continua dizendo que "como ela foi boazinha, poderá assistir mais um pouco de TV", ela não somente está reproduzindo as atitudes da mãe na primeira parte do diálogo, como está alterando essa conduta de forma que lhe seja tolerável.

Como as noções de real e imaginário ainda não estão definidas, o brincar serve para que ela adapte sua vontade às exigências sociais.

Nesse momento, o processo de socialização ainda se encontra em fase de estruturação, e as crianças brincam uma ao lado da outra, com pequena interação e com os jogos ocorrendo de forma paralela e sem regras. São típicos desse período os jogos com os quais a criança brinca isoladamente sem grandes interações interpessoais.

Ao redor da idade escolar, entre 6 e 7 anos de idade, o panorama se delineia de maneira diferente, com os jogos se estruturando de modo concreto, definindo-se regras que são um treinamento para o convívio social e, também são de caráter construtivo, uma vez que a sua capacidade lhe permite transformar um projeto bidimensional ( planta de um carrinho ou de uma casinha) em um objeto tridimensional real e concreto.

Assim, neste momento as brincadeiras já mostram uma adequação bem grande, com as regras sendo claras e obedecidas. É fácil se observar isso quando vemos um grupo de garotos de 8 anos jogar futebol, divididos em dois times e respeitando as regras conhecidas do jogo. Da mesma maneira, brinquedos como o Lego ou outros jogos de montar são bastante interessantes uma vez que permitem à criança o desenvolvimento de sua criatividade e de sua imaginação.

Os brinquedos representam um elemento importante do universo infantil, servindo para que a criança interaja, através dele, com seu universo criando-o simultaneamente.

Brinquedos muito sofisticados, bonitos ou caros não são, obrigatoriamente, os melhores para isso, e muitas vezes a criança prefere utilizar material não estruturado, como sucata, com o qual imagina jogos e objetos que lhe servirão para essa construção. Assim, mesmo sabendo que apesar de toda a publicidade, a criança só utilizará por mais tempo (depois de passada a curiosidade da descoberta) brinquedos que realmente tenham a ver com seu desenvolvimento, não podemos esquecer que o brincar é algo muito sério que possibilitará o desenvolvimento e à adequação da criança com seu ambiente social e familiar.


iv) BRINCANDO COM SEU FILHO

temos nenhuma identificação (pois são coisas de crianças) e que executamos porque faz parte do nosso papel de pai ou mãe.

O brincar, paralelamente ao fazer parte do universo infantil, se constitue em uma das poucas formas que a criança possue para se relacionar e para manifestar seus desejos, fantasias, medos e expectativas.

Concomitantemente, o adulto ao brincar retorna ao seu universo infantil e com isso revive episódios muitas vezes esquecidos e mal elaborados que produzem ansiedade ou tristeza, isso sem contar que, a partir de uma educação predominantemente pragmática, somos ensinados que "brincar" se constitue em perda de tempo uma vez que corresponde a uma atividade não produtiva.

Assim, cada vez mais a relação adulto-criança vai se distanciando, restringindose a capacidade de comunicaçõa entre ambos os grupos e a possibilidade do desenvolvimento da criatividade da criança. Isso porque ao brincar estabelece-se um diálogo imaginário onde são subvertidas as normas e regras do cotidiano estabelecendo-se uma relação onírica que transcende os simples papéis educativos presentes no relacionamentos pais-filhos.

Dessa forma, além de simplesmente cumprir o papel de pais, ao brincar com seus filhos de maneira livre e criativa, possibilita-se uma relação de afeto onde ambos os participantes aprendem a se conhecer no mais íntimo de seu ser independentemente das normas previamente estabelecidas e dos rituais que permeiam as relações familiares.

Mais que isso, é possibilitar à criança a chance de um crescimento saudável que lhe permita tornar-se um adulto mais criativo e consciente de suas possibilidades.


v) ALFABETIZAÇÃO PRECOCE

É bastante frequente observarmos crianças com 5-6 anos de idade, encaminhadas pela escola ao médico com queixa de "problemas de aprendizado" que, quando verificados, mostram-se como a dificuldade da criança em aprender a ler e escrever.

Isso nos traz a necessidade de uma reflexão profunda pois se, por um lado, uma sociedade pragmática e competitiva como a nossa demanda uma série de pré-requisitos que façam dessa criança alguém mais adaptado, por outro lado também nos leva a pensar nas reais possibilidades dessa criança.

Isso porque não podemos esquecer que, embora o investimento ambiental que é feito sobre a criança seja de extrema importância, uma vez que ela se constitui num ser de extrema plasticidade, existe o, assim chamado, “equipamento” genéticoconstitucional com o qual a criança nasce e que segue leis de desenvolvimento razoavelmente estudadas.

Durante essa fase de 2 a 6 anos de idade, a criança encontra-se em período préoperatório de desenvolvimento, no qual começa a realizar operações mentais, sem ainda condições, usualmente, de desenvolver um aprendizado acadêmico tradicional uma vez que não possui atenção estruturada para tal da mesma maneira que condições de inteligência que lhe permitam compreender os mecanismos necessários para a alfabetização.

Claro que nem todas as crianças se desenvolvem de maneira igual; dentro de uma mesma família podemos ter uma criança que aprende a ler mais cedo enquanto o irmão, dentro também dos padrões de normalidade, só vai conseguir aprender ao redor dos 7 anos.

Assim, o processo de alfabetização, mais do que decidido através de determinações das escolas, deve ser verificado a partir dos interesses e das possibilidades da criança, não devendo ser considerada como condição básica de seu desenvolvimento.


vi) A QUESTÃO DA INTIMIDADE ENTRE PAIS E FILHOS

Ao redor dos 3-4 anos de idade a criança, por seu desenvolvimento cognitivo, inicia a explorar seu próprio corpo visando estabelecer sua própria identidade sexual e, consequentemente, seu próprio papel sexual, com significado eminentemente social.

Paralelamente a essa auto-exploração, estabelece-se uma exploração em relação ao corpo do outro, quer seja de idade semelhante à sua, quer seja adulto. Dessa maneira, quando a criança nessa idade procura um familiar pedindo para tomar banho junto, em verdade procura inicialmente motivos para conhecer seu corpo e o do outro.

Entretanto, o adulto ao ser indagado, traz consigo uma série de valores éticos e morais, adquiridos no passar dos anos que, são normalmente, difíceis de ser enfrentados. O fato de ser questionado pela criança não implica que ele deva ceder e, com isso, desrespeitar seus valores e suas convicções.

O negar-se a proporcionar tais situações não implica obrigatoriamente em dificultar o desenvolvimento da criança, da mesma maneira que permiti-las não garante um melhor desenvolvimento.

Mais importante do que as questões relacionadas a permissividade maior ou menor é a necessidade de coerência na educação infantil, coerência essa que para ser mantida deve respeitar o sistema de valores da própria família, da mesma forma que deve adequar gradativamente a conduta infantil à sociedade na qual a criança se insere. Assim, a intimidade entre pai e filha nessa idade deve considerar os valores paternos, o desenvolvimento da criança e a adequação social, sem, é claro, ignorar-se que esse relacionamento deve sempre ser pautado pelo respeito mútuo e pela defesa da criança que, em hipótese alguma, deve ser levada à práticas ou atitudes que podem prejudicá-la.

Em caso de dúvidas, a conduta mais adequada é a conservadora, aquela que não oferece à criança nenhuma possibilidade de que venha a ser abusada ou mesmo, mal orientada pelo adulto.

A sua defesa, como ser em desenvolvimento, deve se constituir no fator básico de preocupação de pais e educadores.


*Psiquiatra Infantil. Professor Livre Docente pela Faculdadede Medicina da USP. Professor Associado do Instituto de Psicologia da USP




Projeto Distúrbios do Desenvolvimento do Laboratório de Saúde Mental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP)

Um abraço
Dra Alessandra

quinta-feira, 28 de abril de 2011

UM NOVO DIA

Essa semana faleceu um colega de profissão. Não éramos muito chegados, mas trabalhamos na mesma sala por 4 anos, ou seja, era alguém relativamente próximo. Um cara jovem (uns 5 ou 6 anos mais velho que eu... MUITO JOVEM), praticava esportes, com um filho adolescente. Infartou. Fulminante! Já chegou morto ao hospital.

Essas coisas assustam. E muito. A brevidade da vida, a proximidade de fatos inusitados e tristes nos faz pensar em nossa própria vida. Retomo então um assunto que abordei um tempo atrás, que é o que fazemos por nós? Como vivemos nossa vida?

Hoje estava lendo o post de uma amiga, a Tatiane, que escreve no blog Mãe, Mulher, Médica (vejam no link) em que ela falava desta correria desenfreada em que não achamos tempo para nada, tentamos bancar as heroínas (ou heróis) que trabalham muito, estudam muito, entendem de tudo e consegue fazer tudo. A pergunta é: qual o preço disso? Enxaqueca, ansiedade, depressão, irritabilidade, noites mal dormidas, vidas mal vividas!

Por isso, volto a insistir no nosso tempo. Fazer um tempo para nós mesmos. Claro, exige renúncia, desapego, mas é fundamental.

Esse ano, na minha listinha de ano novo, estava ter tempo para mim. Reduzi minha carga de trabalho e abri um tempo meu, onde me proibi de colocar qualquer atividade que não seja contemplar meu jardim e regar minhas flores. Uma tarde inteirinha! Quem me conhece sabe o quanto isso é difícil. Foi uma luta, entre culpas e renúncias, mas sigo ferrenhamente disciplinada em manter esse espaço para mim.

Outra resolução que venho mantendo é não me aborrecer com coisas que não valham a pena. Fiz uma lista de coisas que valem a pena. O resto.... eu deixo passar.

E assim vamos vivendo, aprendendo, trocando experiência, correndo atrás desse fantástico equilíbrio. Tão difícil, tão possível!! O importante é viver com consciência. Escolhas conscientes, estar presente em nossas próprias vidas. Erros ocorrem e fazem parte do crescimento, mas a caminhada tem que ser alegre, porque não sabemos onde é o fim da estrada.


Sejam felizes.

Um abraço

Dra Alessandra

quinta-feira, 31 de março de 2011

ACUPUNTURA EM CRIANÇAS

Embora seja uma medicina muito antiga, as práticas chinesas só alcançaram a faixa etária pediátrica na Dinastia Song (960-1279) e os textos pediátricos proliferaram após 1949, pois a saúde das crianças sofreu muito pelos problemas sociais e econômicos da china. Como em toda a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), os cuidados pediátricos têm um caráter preventivo e integram vários aspectos: Físico e mental: ausência de doença. Ambiental: ajustamento ao ambiente. Pessoal e emocional: auto-realização pessoal e afetiva. Sócio-ecológico: comprometimento com a igualdade social e com a preservação da Natureza. O corpo da criança na visão da MTC apresenta uma constituição mole, Qi e Xuê insuficientes, tendões e vasos insuficientemente formados, espírito não desenvolvido e baixa resistência corporal. Ou seja: CUIDADOS INADEQUADOS PODEM CAUSAR DOENÇA! Algumas peculiaridades da criança também são observadas, lembrando sempre que os órgãos são vistos de acordo com sua função energética e não sua função fisiológica ocidental: O Baço e o Yin da criança são freqüentemente insuficientes; os órgãos são frágeis e suaves; o Qi facilmente sai do seu caminho. Crianças adoecem facilmente e sua doença rapidamente torna-se séria, por outro lado, seus órgãos e vísceras são claros e vivos, rapidamente recuperam a saúde. É preciso tratar da mãe para tratar da criança. Esses são preceitos básicos da MTC para aplicação na pediatria. Não há contra-indicação para o uso de agulhas em crianças, porém culturalmente nossas crianças e principalmente, as famílias, apresentam restrições ao agulhamento. A técnica que mais utilizo nas crianças é a fitoacupuntura, onde colocamos sementes com propriedades fitoterápicas no acuponto, para realização de um duplo estímulo, tanto o da acupuntura, quanto o da fitoterapia. Na próxima semana exploraremos mais o assunto a vou mostrar algumas experiências positivas que venho observando com esta técnica.
Boa semana. Um abraço.

Dra Alessandra

quarta-feira, 16 de março de 2011

CUIDANDO DE QUEM CUIDA

Hoje, diferente do que geralmente faço, vamos falar da atenção as mães, pais, avós, irmãos e outras pessoas que se dedicam ao cuidado das crianças com alguma deficiência.

Achei interessante falar neste assunto, pois semana passada atendi uma criança que conheço desde o nascimento (ela está com 9 anos) e mal reconheci a mãe. Uma moça jovem, que tem menos de 30 anos, mas com aparência de pelo menos 10 anos a mais, emagrecida e com um aspecto realmente cansado.

Perguntei como ela estava e ela me respondeu o que estava na cara: Nossa Doutora! Estou muito cansada. Minha vida é correr de lá para cá em médicos e terapias, laudos, escolas, remédios... Enfim uma vida de compromissos!

Curiosa, fiz uma pergunta: e o que você faz para você? Tipo ir ao cinema, passear sozinha, ir ao salão de beleza, essas coisas. Ela deu risada e respondeu: Ah, desde que minha filha nasceu, não faço mais nada!

Aquela resposta me tocou profundamente por dois pontos: Primeiro, sei (e sei bem) que uma criança com necessidades especiais, ainda mais no caso dela que a filha é dependente para tudo, realmente dá muito trabalho e consome um tempo enorme. Entretanto não podemos esquecer que há um ser humano por trás da figura do responsável que tem necessidades também, que precisa de uma vida além da criança, até para poder dar seu melhor à criança.

E segundo, as situações neurológicas da infância são geralmente crônicas, ou seja, vão acompanhar a criança boa parte, ou a vida toda. Então é necessário que a família se organize para viver com essa realidade e não viver somente essa realidade.

Outro ponto que acho importante é que a gente aprenda a pedir ajuda. Ao pai da criança (que tem as mesmas responsabilidades da mãe), avós, tios, vizinhos. Quanto maior a rede que for construída em torno dessa criança, menos ela vai ser um peso na vida daquele responsável sobrecarregado. Se essa for uma rede de amor, aí então, ela só tem a ganhar.

Pedir ajuda a alguém é, além de um exercício de humildade, um exercício de tolerância, já que o outro pode não cuidar da mesma forma que nós cuidamos (Cuidado mamães!! Pois nós mães achamos que só NÓS cuidamos direito dos nossos filhotes), mas qualquer cuidado que venha com amor e boa vontade vai, com certeza, dar certo e fazer bem.

E uma vez resolvido isso, vá sem culpa, ao parque, ao cinema, à igreja, namorar seu marido, seu namorado, arrumar um namorado, enfim viver a sua vida, pois esse é um direito de todos nós.

Sejamos felizes!
Um abraço
Dra Alessandra

quarta-feira, 2 de março de 2011

Intervenção Precoce é um trabalho sensacional!!

Olá!! Quanto tempo!! Parece que o ano já começou agitado! Mas vamos colocando as coisas em dia com calma.

Esta semana, quero comentar a experiência do nosso grupo de intervenção precoce, que carinhosamente apelidamos de grupo de “bebês”.

Ele é composto por bebês que nasceram no Hospital de Cotia e que apresentaram alguma intercorrência durante o parto ou logo após, como prematuridade, falta de oxigênio ao nascer (Anóxia Neonatal), convulsão ao nascimento ou meningite neste período e que vem para um seguimento de rotina com a equipe do centro de reabilitação.

Eles passam em avaliações mensais ou bimestrais de acordo com a necessidade e orientamos desde exercícios de estimulação motora e alimentar, até a compra de brinquedos, músicas e passeios externos. Quando observamos alguma alteração no desenvolvimento, a criança é precocemente encaminhada à reabilitação.

A equipe conta comigo como médica, com uma fisioterapeuta, uma terapeuta ocupacional, uma fonoaudióloga e ao final das consultas (em torno do primeiro ano de vida), realizamos uma avaliação e orientação inicial da odontologia.

O grupo é pareado por idade cronológica (ou seja, de nascimento), e vemos no máximo cinco crianças por atendimento.

Hoje foi um dia inusitado, pois vimos duas situações distintas em que o grupo mostra sua validade e importância. Duas meninas que nasceram com 15 dias de diferença e ambas com peso abaixo de 1kg.

A maiorzinha, que está com 10 meses, é umas das nossas menores crianças, foi uma prematura extrema e nasceu com cerca de 600g. Está com 10 meses (7 meses de idade corrigida) e muito, muito fofa, com exame normal para a idade corrigida, esperta, sorridente. Uma família ótima e uma mãe que seguiu todas as orientações de estimulação.

A outra, com 9 meses, vem apresentando uma evolução ruim, com atraso importante (foi um caso mais grave, que teve sangramento na cabeça e hidrocefalia, necessitando de cirurgia), mas percebido desde sua chegada ao grupo com 4 meses. Já está em reabilitação e vem evoluindo lentamente, embora de forma consistente.

Tenho certeza que essa seria uma criança que chegaria a um centro de reabilitação por volta dos seus 2 ou 3 anos de idade, com um atraso imenso e um tempo precioso perdido.

E como criança é tudo de bom, as duas como boas “amigas de infância”, brincaram juntas, sorriram e dentro de suas possibilidades interagiram de forma plena. E na saída, a pequerrucha nos brindou com um “tchau” recém aprendido e ainda meio desengonçado, que levou à mãe às lágrimas, pois realmente são pequenas guerreiras desde sempre!!

Um abraço
Dra Alessandra

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Autismo: Tratamento

Embora não haja tratamento medicamentoso específico para o autismo, ou seja, não vamos usar um remédio que vai “curar” a situação, muito se pode colaborar com medicamentos nos quadros do espectro autista.

Devemos ter em mente que o tratamento dos transtornos globais do desenvolvimento (TGD) envolve uma abordagem múltipla:

  • Intervenções psicossociais:
    a) com a família
    b) com a criança / adolescente
    c) com a escola
  • Intervenções psicopedagógicas, psicoterapêuticas, reabilitação interdisciplinar
  • Intervenções farmacológicas

Os exames complementares só serão necessários para investigar uma possível situação de base que cause os sintomas.

Neste contexto, os medicamentos serão úteis no controle de alguns sintomas do TGD e de algumas comorbidades (outras doenças que aparecem junto com o transtorno, como a epilepsia).

Os principais sintomas que podem requerer uma abordagem farmacológica são as estereotipias, a agressividade, a irritabilidade e a agitação psicomotora. A decisão de medicar ou não esses sintomas dependerá do impacto destes na vida da criança ou do adolescente.

Medicamentos como os anti-depressivos, os anti-psicóticos e até mesmo os anti-epilépticos são os mais utilizados.

A epilepsia quando presente deve ser tratada da mesma forma que quando aparece sem o TGD, porém, às vezes podemos escolher a medicação já visando melhorar outros sintomas ou realizar associações que ajudem em vários aspectos do quadro, para introduzir o mínimo possível de medicamentos.

A evolução do paciente autista é variável e depende primordialmente do investimento familiar, escolar e da equipe de saúde, porém sem uma família continente, que entenda as orientações e as coloca em prática, que respeita os limites da criança ou adolescente, não há boa evolução.

A maior parte dos autistas tem boas condições de se desenvolver, de aprender coisas novas e se tornar um adulto independente e produtivo. Basta acreditar!!

Um abraço

Dra Alessandra

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....