terça-feira, 20 de abril de 2010

Acupuntura e epilepsia

Hoje trago o resumo do meu trabalho de conclusão de curso de acupuntura, utilizando esta técnica milenar em pacientes com epilepsia.

Na definição da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a saúde é um estado de harmonia entre as funções orgânicas internas e entre o ser humano e o meio ambiente onde vive. Na natureza, os fenômenos podem ser divididos, de uma forma simplista, em dualidades opostas, denominadas de yin-yang, que apresentam um estado de equilíbrio dinâmico.

No corpo humano o fluxo ininterrupto e suave das substâncias essenciais mantém as funções adequadas dos órgãos internos e, conseqüêntemente, asseguram as atividades nervosas e mentais, manifestando externamente um estado de saúde e bem estar.

A epilepsia do ponto de vista ocidental é uma condição que tem em comum a presença de crises epilépticas ou convulsivas recorrentes na ausëncia de condição tóxico-metabólica ou febril. A crise epiléptica é causada por descargas elétricas cerebrais anormais excessivas e transitórias da células nervosas. O sintoma da crise depende da área cerebral envolvida. A crise tem inicio súbito e cessa espontaneamente ou quando muito prolongada com uso de medicação.

A epilepsia é chamada pela MTC de DIAN XIAN, que significa: "vento interno". Vento simboliza perturbação, e refere-se grosseiramente ao desequilíbrio do elemento madeira. Existem os ventos internos, que podem ter origem no nascimento ou serem adquiridos ao longo da vida através de algum traumatismo ou tumor. Existem também os chamados ventos externos, que hoje são relacionados pelas técnicas ocidentais a vírus, bactérias e outros microorganismos presentes no ar.

Apesar de não possuir ainda uma evidência clínica consistente publicada na literatura médica especializada, acredita-se que a abordagem integrativa usando os conceitos tradicionais chineses pode contribuir no bem estar e melhora da qualidade de vida das pessoas com epilepsia.

Meu estudo iniciou-se com a anamnese detalhada dos pacientes para realização do diagnóstico energético e foram incluídos três pacientes com idades entre 10 meses e 11 anos, com diagnóstico ocidental de epilepsia refratária, todos utilizando mais de duas medicações ao dia e sem controle efetivo das crises epilépticas.

Os pacientes foram submetidos a oito sessões de acupuntura, sequenciais, semanais e não houve faltas ou desistências durante o estudo.

Todos os pacientes experimentaram melhora significativa (20 a 80% de redução) das suas crises epilépticas.

Obviamente essa amostra é pequena para afirmar o emprego da técnica nesta condição, porém abre um precedente para novos estudos, com número maior de pacientes.

Conclui-se que a acupuntura pode ser um recurso no tratamento de quadros neurológicos, incluindo a epilepsia e, que mais estudos padronizados são necessários para demonstrar sua eficácia.

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