Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2010

Diagnóstico e prognóstico

Sim,quanto nome difícil!!! Palavras que despejamos no dia a dia para nossos pacientes e seus familiares na expectativa de ajudá-los a lidar com o inesperado. Porque nenhum pai, mãe ou avós acha que seu filho ou neto terá uma doença. E se ela é neurológica então... pior ainda.

Diagnóstico é o nome da doença ou situação clínica que o indíviduo tem. Paralisia cerebral, autismo, síndrome de Down, epilepsia, enxaqueca são alguns exemplos de diagnóstico. Porém em alguns casos, como a epilepsia por exemplo, esse diagnóstico pode ter uma causa, uma etiologia, como a própria paralisia cerebral.

Em alguns pacientes essa busca não é fácil e nos desgastamos junto à família para dar um nome à situação, pois como nos fala poeticamente a Adriana Ueda do blog Síndrome de Angelman (vide meus blogs prediletos): “E mesmo que a medicação não mude, ou que as terapias e tratamento continuem sendo os mesmos, a impressão que temos ao ter um nome para o problema é que uma página foi virada e podemos começar um …

TDAH - Dicas

Finalizando os texto sobre TDAH, vou aqui dar algumas dica de manejo, porém esse texto não tem a função de ensinar com “receita de bolo” a lidar com uma criança que apresenta o TDAH. A intenção é dar algumas dicas simples que ajudam pais e professores, mas principalmente a criança que é nosso principal foco.

Porém a grande dica é que bom senso e amor fazem toda a diferença para qualquer criança. Entender que o indívio com o transtorno não faz de propósito “só para irritar” já é um grande passo para olha-lo com tolerância.

Vamos as dicas:

. Um ambiente muito bem estruturado ajuda a criança a ordenar-se.

· Favorecer ambientes onde tenha a menor distração possível. Na escola, sentar longe de portas e janelas. Em casa, ter um ambiente próprio para o estudo.

· Supervisionar pessoalmente as tarefas.

. Manter agenda, que deve ser vista pelos pais e professores diariamente.

· Estabelecer um tempo extra e fixo para que copie seu trabalho, lembrando que quando o tempo se esgotar deve parar e não deixa…

"Ele é tudo de ruim"

Atendi um menino semana passada, com 10 anos e um quadro comportamental importante. J. se recusa a ir à escola. E como já é um rapazinho, simplesmente não vai. Se joga no chão, grita, bate, enfim, não vai há 2 meses na aula.

Ele passou em triagem comigo e com a psicologia, e ainda que numa observação mais superficial, nós não fechamos qualquer diagnóstico neurológico ou psicológico.

A situação familiar é extremamente conturbada e a mãe não oferece o suporte necessário. Ele já passou em vários tratamentos, mas nenhum é levado com seriedade.

Durate a avaliação, pergunto como ele é em casa e lá vem uma chuva de queixas e acusações: J. é agressivo, desobediente, bate na mãe, é insuportável, etc, etc, etc. Eu já meio sem jeito fiquei observando J. sentadinho na cadeira ouvindo a mãe dizer tudo isso dele, mas a psicólogca foi além e perguntou o que ele fazia de bom e a mãe tranquilamente respondeu: - Nada, esse menino é tudo de ruim!!!

Como assim?? Eu quase cai da cadeira! Como uma mãe fala na …

Congresso SBNI 2010

Semana passada, dias 11, 12 e 13, fui ao Congresso da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). É o congresso nacional da especialidade, com temas atuais, convidados estrangeiros e toda a “trupe” de neuropediatras do Brasil.

Bom para rever os amigos e para nos atualizarmos com o que há de mais novo na especialidade.

O pré-congresso ocorreu no dia 11 e foi sobre as fronteiras da neuro com a psiquiatria. Um dia muitíssimo interessante, com discussão de duas especialidades afins, que abordaram temas como o TDAH, autismo, novas medicações que chegarão ao mercado (especialmente para o TDAH), novidades no campo da genética para as patologias psiquiátricas e uma boa discussão sobre um sintoma muito frequente na prática clínica, a irritabilidade!

Enfim, um dia cheio e bastante produtivo. Chamo a atenção para as palestars do Dr Luiz Augusto Rodhe de Porto Alegre e do Dr Guilherme Polanczyk, um gaúcho que atualmente está em SP, ambos psiquiatras da infância.

O congresso propirament…

Uma sexta-feira difícil

Eu trabalho na APAE – Cotia há cerca de 4 anos e lá temos um programa específico de atendimento ao autista.

O autismo é um distúrbio de desenvolvimento complexo, definido de um ponto de vista comportamental, com etiologias múltiplas e graus variados de gravidade. Nesta situação, o contato social e a fala são mais prejudicados. Em breve falaremos mais sobre o assunto.

Pois bem, há 2 semanas iniciamos as reavaliações dos alunos deste programa e essa sexta-feira foi especialmente mais difícil.

Mães com muitas dificuldades de manejo do quadro, chorando na consulta, com dúvidas importantes sobre seus filhos e com situações, que infelizmente, são fruto de uma abordagem equivocada por parte da família.

As pessoas acham que quando orientamos não deixar uma criança tirar a roupa, ensiná-la a não bater e a comer na mesa, colocar regras e ensinar a criança a segui-las, é só porque é “legal”.

O que não se entende, às vezes, é que um menininho de 4 anos tirando a roupa é engraçadinho, mas aos 20 anos …

APRENDIZAGEM

Já que estamos falando de aprendizagem, selecionei para vocês um texto das minhas amigas Melanie e Carolina, do laboratório onde desenvolvo meu projeto de doutorado.
Vale a pena ler o texto a seguir:

APRENDIZAGEM



Melanie Mendoza* e Carolina R. Padovani**



Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. É um processo contínuo, que sofre alterações na velocidade e na qualidade do que é aprendido conforme a idade e nível de desenvolvimento, isso acontece porque o sistema nervoso - órgão responsável pela aprendizagem - termina seu amadurecimento apenas no fim da adolescência e sofre contínuas alterações pelo ambiente por toda a vida.

Com o passar do tempo, a criança demonstra de maneira mais evidente o que aprende.

Como você viu na aula sobre desenvolvimento, a criança começa sorrindo, brincando com as mãos…

TDAH - CONTINUAÇÃO

Conforme falamos semana passada, o diagnóstico de TDAH pode ser difícil, pois os sintomas demonstrados pelos pacientes podem ocorrer não só devido ao TDAH, como também a uma série de condições neurológicas, psiquiátricas, psicológicas e sociais.

Normalmente o diagnóstico começa pela eliminação de outras patologias ou problemas sócio/ambientais, possivelmente causadoras dos sintomas. Além disso, os sintomas devem, obrigatoriamente, trazer algum impacto na vida da criança.

A idade e a forma do surgimento dos sintomas também são importantes, devendo ser investigados, já que no TDAH, a maioria dos sintomas está presente na vida da pessoa normalmente desde a infância. Portanto, por se tratar de um transtorno crônico, os sintomas de dificuldade de atenção/concentração ou hiperatividade semelhantes ao TDAH mas que apareçam de repente, de uma hora para outra, tem uma grande possibilidade de NÃO ser TDAH.

Para que se considere o diagnóstico de TDAH, os sintomas devem se manifestar em vários a…