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TDAH - CONTINUAÇÃO

Conforme falamos semana passada, o diagnóstico de TDAH pode ser difícil, pois os sintomas demonstrados pelos pacientes podem ocorrer não só devido ao TDAH, como também a uma série de condições neurológicas, psiquiátricas, psicológicas e sociais.

Normalmente o diagnóstico começa pela eliminação de outras patologias ou problemas sócio/ambientais, possivelmente causadoras dos sintomas. Além disso, os sintomas devem, obrigatoriamente, trazer algum impacto na vida da criança.

A idade e a forma do surgimento dos sintomas também são importantes, devendo ser investigados, já que no TDAH, a maioria dos sintomas está presente na vida da pessoa normalmente desde a infância. Portanto, por se tratar de um transtorno crônico, os sintomas de dificuldade de atenção/concentração ou hiperatividade semelhantes ao TDAH mas que apareçam de repente, de uma hora para outra, tem uma grande possibilidade de NÃO ser TDAH.

Para que se considere o diagnóstico de TDAH, os sintomas devem se manifestar em vários ambientes (escola, casa, viagens, etc..). Os sintomas que só aparecem em um ambiente, como por exemplo, só em casa, só na escola, só quando sai de casa... etc., devem ser investigados com mais cuidado.

Muitas vezes os professores são os primeiros a detectar o problema, já que podem comparar a conduta entre crianças da mesma idade. Quando se suspeita que a criança possa estar sofrendo deste transtorno, deve-se realizar uma consulta com um profissional especializado.

O plano terapêutico se baseia fundamentalmente em três premissas:

1. Adequação das opções educativas

2. PsicoterapiaAtualmente se tem provado maior efetividade com o uso de terapias do tipo cognitivo- comportamental.

3. Tratamento farmacológico

Os fármacos chamados psicoestimulantes, como por exemplo o metilfenidato (Ritalina®; Concerta®) tem permitido, junto com a psicoterapia, melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dessas crianças. O médico especialista pode utilizar outras medicações, como por exemplo, os antidepressivos. Devem realizar-se controles periódicos, valorizando entre outros, o apetite, o crescimento e o sono, que são os problemas mais freqüentes que se associam ao uso desses medicamentos.É natural que exista certa preocupação por parte dos pais em usar os fármacos por tanto tempo mas, devem sempre ser avaliados os riscos e benefícios do tratamento, juntamente com a qualidade social e escolar da criança.

Embora o TDAH seja uma entidade bem conhecida e estudada no meio médico, ainda causa muitas dúvidas na população geral. Vamos continuar tratando deste tema nos próximos posts e eu sugiro o livro “No mundo da lua” do Dr Paulo Mattos como um bom início.

Um abraço
Dra Alessandra

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