terça-feira, 20 de agosto de 2013

VAMOS FALAR DA FALA?


O desenvolvimento infantil, especialmente nos primeiros anos de vida, é um importante preditor do resto de nossas vidas. Acompanhar, conhecer e estimular os marcos normais é fundamental.
E embora os aspectos motores sejam mais fáceis de acompanhar, marcos relacionados a sociabilidade e a fala também devem ser observados.
Transtornos como o autismo podem ter como quadro inicial o atraso na fala. No Brasil, a surdez profunda ou severa tem seu diagnóstico realizado muito tardiamente. Essas situações podem ser melhor abordadas quando o diagnóstico e principalmente a intervenção são realizados precocemente.
Vamos então conhecer os principais marcos no desenvolvimento da fala e da socialização:
Até um mês de idade:
       Olha para o rosto das pessoas que o observam.
       Ao ouvir uma voz chamando-o,reage de  algum modo: 
mudando o ritmo da respiração ou abrindo mais os olhos e demonstrando “atenção, ou rodando a cabeça para um dos lados como se quisesse localizar a fonte do som”.
Três meses: 
                                  Sorri reativamente,
                                  Ao ouvir uma voz, fica atento.
Quatro meses
                                  Sons guturais(“ANGU”)
                                           Seis meses
        Inicia sons vocálicos: “AAAAAA”
        Localiza som (molho de chaves), na altura dos ouvidos.
Nove meses
                                  Lalação: “BAA BAA BAA” “TAA TA TA” MA-MA”.
                                  Localiza som ao lado e acima da cabeça (até 13 
meses).
                                  Recusa aproximação de pessoas estranhas.
Doze meses
·      Lalação:“Mama”“Papa”“Dada”
 
Dezoito meses
                                  Primeiras palavras-frases: “Dá”
                                  Brinca imitando (telefone no ouvido, tenta rabiscar).
                                  Aponta para o que quer.
Dois anos
                                  Combina 2 palavras
                                  Associa idéias: aperta o interruptor e olha para a lâmpada. Aponta para a bolsa, por. ex., da mãe e diz 
“mamãe”.
                                  Imita trabalhos caseiros.
                                  Aponta para partes do corpo.
                                  Três anos
        Frases gramaticais.( EU)
        Diz o próprio nome completo.
        Gagueira fisiológica.
        Brinca de faz-de-conta.
Quatro anos
• Frases completas. Ainda troca letras; ou suprime as letras (sapato por pato).
• Usa plural.


É claro que essas são noções gerais e em caso de dúvida, deve-se procurar primeiro o pediatra da criança e o neuro ou o fonoaudiólogo em casos mais específicos. Outros profissionais como o otorrino, caso haja indicação médica também podem auxiliar no diagnóstico.
Um abraço
Dra Alessandra
Fonte: Exame Neurológico em Crianças – Carolina R. Funayama. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. 

domingo, 21 de julho de 2013

FÉRIAS! UHUUUUUUU!!!

Vou entrar em férias essa semana. Alguns dias de descanso, uma viagem breve e toda a animação do mundo. Nada como uns dias de tranquilidade e muita motivação na bagagem, além de nenhum compromisso formal. Sem lenço e sem documento!

Várias coisas me animam ante a chegada desse momento tão esperado. A primeira delas é não acordar antes do nascer do sol. Amor ver a alvorada do meu carro, mas passar uns dias acordando quando meu corpo mandar é sensacional.

A outra, e mais importante, é o quanto vou sentir saudades do meu trabalho e da minha vida cotidiana. Claro, que nos primeiros dias, a possibilidade de descansar fala mais alto, mas logo depois vem aquela saudade gostosa e saudável. Aquela sensação fantástica de que minha vida é muito boa e eu gosto muito da minha rotina.

E isso, meus amigos, é um prêmio!

Gostar muito do fim de semana, mas gostar também da sua semana é lindo. Nossa vida é pautada pelas nossas escolhas e escolher o que te faz bem é uma arte difícil de dominar. Mesmo de coisas boas, já enchi tanto a minha agenda que me vi, algumas vezes, sufocada por atividades que adorava, mas que todas juntas, sem horários para as refeições e para descanso me massacravam.

E gostar de voltar para casa então? Isso realmente não tem preço! Construir um lar de amor e paz, um porto para onde voltar é a coisa mais preciosa desse mundo. Ele pode ser simples, pequeno, como for, mas tem que ser seu, seu canto, sua energia, seu lugar de paz. No meu caso, minhas flores, minha horta, meus bichos.

E é assim que saio para minhas férias. Sabendo que tenho uma vida que me agrada, uma casa para onde sempre quero voltar, pessoas que gosto de conviver e que me esperam também saudosas. Uma vida de escolhas, nem sempre fáceis, mas conscientes e coerentes.

Isso é um exercício. Esse belo exercício que é viver.

Vou sentir saudades de vocês também!
Sejam felizes!
Um abraço e até a volta.

Dra Alessandra

sábado, 20 de julho de 2013

Saber o diagnóstico do seu filho é um direito e um dever!

Vou voltar a um tema que já conversamos algum tempo atrás, que é o diagnóstico. Diagnóstico é o nome da situação clínica ou da doença que leva um indivíduo à consulta, no meu caso médica. 

Baseia-se na história clínica, no exame físico e eventualmente necessita de exames complementares para sua confirmação.

Atendo muitas crianças onde pergunto para a mãe se ela sabe o que o filho tem e escuto respostas variadas, algumas absurdas, do tipo, o médico não quis me falar ou ele me falou, mas eu não entendi nada. Ele passou esse remédio, mas eu não sei por quê.

Entendo que às vezes falamos muitas palavras novas e difíceis, num momento onde há emoção, ansiedade e mais uma série de sentimentos e que isso ode dificultar o processo de entender o que está acontecendo. Entretanto, saber o diagnóstico do seu filho quando há um, é mais que um direito, é quase um dever. O diagnóstico é a base do tratamento, do raciocínio clínico, da evolução.

É muito frustrante quando não conseguimos fechar um diagnóstico, especialmente frente a quadros graves, mas mesmo quando isso não é possível, é minha obrigação falar para a família que ainda não sabemos o que a criança tem e que vamos continuar investigando.

Por isso pergunte, várias vezes se for necessário, anote, caso chegue à sua casa e note que não entendeu direito, anote as dúvidas e tire na próxima consulta. Leve um pedaço da caixa do remédio se você não consegue decorar o nome, mas se envolva na vida do seu filho. 

Profundamente. Emocionalmente. Fisicamente. Se envolva. Pesquise, tire dúvidas, procure boas leituras, outras opiniões se não estiver confiante na primeira.

E seja feliz.
Abraço

Dra Alessandra

terça-feira, 25 de junho de 2013

UMA REFLEXÃO SOBRE A MEDICINA NO BRASIL


Entretanto, essa semana, todos nós médicos fomos obrigados a tirar um momento para refletir sobre nosso papel, nossa carreira, enfim, nossa profissão.

Há tempos a medicina perdeu aquele “glamour” dos séculos passados. Somos trabalhadores como qualquer outro, ganhamos pouco, trabalhamos em várias jornadas paralelas, dormimos mal, comemos pior, vivemos com rotinas bem diferentes daquelas que orientamos aos nossos pacientes como saudáveis.  

Mas o que se viu nessa semana com o pronunciamento da nossa “presidenta” foi um descaso, um desrespeito a uma classe de trabalhadores. Dizer que a causa dos problemas da saúde no Brasil é a falta de médicos, me parece uma piada de muito mau gosto.

Falta muita coisa sim, até médicos, mas o problema começa muito antes. Falta estrutura, investimento, aparelhagem, e mais uma infinidade de coisas que poderia passar o dia listando.

Nossa formação é longa, sofrida. De verdade. Noites sem dormir, estresse, morte e vida por todos os lados. Muitas horas de plantão e estudo. Muito choro e muito riso. Temos que aprender a comemorar as vidas salvas, mas também a dar notícias ruins.

E ainda assim, depois de 11 anos no meu caso (6 de faculdade, 2 de pediatria e mais 3 de neurologia), saí acreditando em algo melhor. Essa esperança muito se desfez na quantidade de vezes em que vi uma criança morrer literalmente em meus braços, por não ter uma vaga em UTI, ou numa ambulância em alta velocidade porque a vaga demorou e mais vezes ainda, morrer ao chegar na UTI porque a vaga demorou muito. São todas cenas inesquecíveis. Cada criança que morreu comigo foi uma dor, mas aquelas que no fundo eu sabia que se foram por conta de uma estrutura falha e desumana, fruto de muitos desvios de verba, de corrupção, essas tem um gosto que a gente nunca esquece. Ver uma mãe pedindo desesperada: Dra, salva meu filho, ou uma criança pedindo: Tia, não me deixe morrer; e você não ter certeza se pode prometer isso, porque a vaga não sai. Você liga para 4, 5 hospitais e todos lotados. Acreditem, é o pior momento da vida de um médico.

Mas ainda assim a gente segue, estuda, melhora o olhar clínico, tenta de alguma forma precisar cada vez menos do sistema. Alguns endurecem, outros desistem. Outros ainda sobrevivem e lutam mais ainda. Cada um se vira como pode.

Essas são histórias muito particulares que divido hoje com vocês para que não pareça que estamos fazendo reserva de mercado quando falamos que médicos estrangeiros não são a solução. Que saúde é coisa muito séria e que nossa profissão é digna e merece respeito. Tem médico ruim? Claro. Como tem qualquer outro profissional ruim e desonesto. Mas não podemos generalizar. Tem muita gente boa, que como eu, ama o que faz e só quer um pouco de dignidade para poder levar a vida cuidando de outras vidas.

Vamos torcer e gritar e lutar por um país melhor. E com saúde.

Um abraço

Dra Alessandra

domingo, 2 de junho de 2013

ESCOLA ESPECIAL: Considerações finais

Continuando no difícil assunto da semana passada, o momento de colocar um filho na escola é bastante delicado. Se esse filho é uma criança especial, a ansiedade se multiplica por mil.

O que mais ouço são perguntas como: " quem vai trocar a fralda dele?", "ele não fala, como vai se defender?", "será que vai aprender?". São perguntas para as quais infelizmente não tenho respostas. Não sei se essa criança será bem cuidada, bem aceita, bem tratada, incluida realmente.

Tenho casos lindos de inclusão social e pedagógica. De escolas que abraçam a causa, fazem adaptações, estudam, incluem. Tenho casos horrososos de descaso, falta de respeito e até de humanidade. Professores que colocam apelidos no deficiente, que o deixam fora da sala sentados num canto, enfim, toda gama de barbaridades.

O sistema de educação brasileiro, assim como o da saúde, é ruim, falho. Ruim para inclusão na rede privada e medonho na rede pública. A inclusão se faz às custas de talentos individuais e não de boas politicas públicas. Se o professor ou o diretor "abraçam" a causa, pronto! Caso contrário, nem uma criança com TDAH (que não é caso de inclusão) consegue se sair bem.

Resumindo, esse é um momento de mudança. A hora é agora. Não sei dizer qual a melhor escola, regular ou especial, só sei que neste momento, a família tem que estar muito presente, participando, ajudando a escola a se adaptar e que a relação escola-saúde tem que se estreitar mais e mais. Para que junto cheguemos ao objetivo final e comum de crianças incluídas, aprendendo ao máximo dentro das suas potencialidades, e fundamentalmente, sendo felizes.

Boa semana
Sejam felizes
Dra Alessandra

terça-feira, 21 de maio de 2013

Escola Especial: Conceitos e reflexões

Andei sumida né? Pois é, o ano já começou a mil por hora e não estava tendo tempo de me dedicar ao blog.

E já vamos retomar com um assunto controverso, que desperta paixões e acaloradas discussões, que é a escolarização especial. 

Vista por uns como segregação e por outros como uma forma de melhor atender ao deficiente, esse texto tem como objetivo fomentar a discussão e o pensar e passa longe de querer dar respostas prontas para um tema tão vasto. 


O Brasil é considerado um dos piores países do mundo em investimentos na área da educação. Em relação à educação especial essa realidade não é diferente. Entretanto, apesar do pouco investimento e do descaso político, a educação especial foi ganhando seu espaço de forma lenta, por meio da criação de inúmeras instituições, geralmente filantrópicas e criadas a partir de movimentos da própria sociedade.

Essas instituições eram de caráter assistencialista e cumpriam apenas sua função de cuidado aos deficientes.

Por educação especial entende-se o atendimento educacional de pessoas com necessidades especiais, isto é, daqueles que apresentam deficiências mentais, físicas, sensoriais, múltiplas deficiências e os superdotados. Embora a pessoa com necessidades especiais deva ser vista primeiramente como PESSOA, ele é também uma pessoa diferente.

Sendo assim, o desenvolvimento harmonioso do educando sob o aspecto individual, individual-social e predominantemente social é o que se pretende atingir no processo educativo. 

A auto-realização, a qualificação para o trabalho, o exercício consciente da cidadania são decorrências de uma ação educativa eficaz e eficiente, seja ela dirigida a indivíduos portadores de necessidades especiais ou não.

As diferenças entre a Educação Especial e a Educação comum não se encontram nos aspectos filosóficos, mas sim nas estratégias de ação que lhe são próprias e múltiplas.

A Educação Especial é definida como a modalidade de ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços comuns, de modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentam necessidades educacionais muito diferentes das da maioria das crianças e jovens. A defesa da cidadania e do direito à educação das pessoas com necessidades especiais é atitude muito recente em nossa sociedade.

Em meados da década de 90, no Brasil, observando movimentos em outras partes do mundo, já mais avançados, começaram as discussões em torno do novo modelo de atendimento escolar denominado Inclusão Escolar. Esse novo paradigma surge como uma reação contrária ao processo de segregação, e sua efetivação prática tem gerado muitas controvérsias e discussões.

Na próxima semana (assim espero, rsrs) continuaremos tratando deste tema.

Boa semana
Um abraço
Dra Alessandra

sábado, 19 de janeiro de 2013

Histórias que comovem

Eu escuto todos os dias muitas histórias, dos mais variados tipos e com os desfechos mais heterogêneos possíveis. Histórias de superação, de abandono, de negligência, de abuso. Algumas histórias tristes e outras felizes.

E comecei o ano ouvindo uma surpreendente história de amor e generosidade, snetimantos tão em falta nos dias de hoje, tão silenciados pelo egoísmo, pela inveja e pela violência.

A mãe de um paciente veio me procurar para contar que seu filho tinha falecido. Vocês já sabem a minha opinião sobre morrer na infância. Deveria ser proibido! Criança tem que viver, que florescer. A morte não deveria serpermitida nessa faixa etárias. Mas sabemos bem, que ela não poupa ninguém.

Um menino com uma condição neurológica não muito grave, que aos 9 anos tinha um atraso motor e cognitivo leves. Andava, corria, estudava e já estava alfabetizado.

Apresentou uma descompensação do seu quadro neurológico e naquela velha combinação que tão bem conhecemos no Brasil de escassez de recursos associados a negligência de um sistema de saúde à beira da falência, a criança evoluiu para morte encefálica.

E foi uma comovida mãe que me contou que a família optou por doar os órgãos desse menino, fazendo dessa grancde tragédia a salvação de várias crianças. Rins, coração, pâncreas, córneas. Um milagre, uma explosão de vida, vindo de um momento trágico.

Ela me deixou os medicamentos que ele usava, pois outras crianças podem estar precisando e uma foto dele sorridente e bonito como ela faz questão que ele seja lembrado, foto essa que foi usada numa camiseta por todos os colegas de escola durante seu enterro.

Quando ela saiu do meu consultório eu estava emocionada e admirada com tamanha generosidade, com tamanha luz e força interior. Da dor, fez-se vida. Do improvável, amor. Um ato para poucos. Fico honrada que tenhamos dividido isso.

Dias assim, embora tristes me fazem achar que ainda há um caminho para a humanidade.

Sejam felizes. E generosos!
Um abraço
Dra Alessandra

Ansiedade na infância: por que nossas crianças sofrem com o amanhã?

Eu acho que a infância é, sem dúvidas, a melhor fase da vida. Onde tudo é lúdico e onde a vida ainda é mais diversão do que obrigação....